Primavera inicia época de aumento de picadas de escorpião. Cotia tem ponto de atendimento de urgência

Existe uma grande variedade de animais considerados peçonhentos no Brasil. O que caracteriza um animal peçonhento é ele possuir uma toxina, uma substância complexa, que conhecemos como “veneno” e ser capaz, com o mecanismo de dentes ou ferrão, de inocular esse veneno no corpo de outro animal ou no ser humano. Entre os animais peçonhentos no Brasil, os que têm essa capacidade e são os que resultam em mais ataques ao ser humano, são algumas espécies de serpentes, aranhas e escorpiões.

A maior incidência de picadas de escorpião é na primavera e verão e o Hospital Regional de Cotia tem soros para picadas de escorpiões, cobras, aranhas e lagartas (ionômico).

O estado de São Paulo registrou 16.248 casos de pessoas picadas por escorpiões neste ano, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. Os dados são de janeiro a agosto de 2021. Em todo ano passado foram mais de 36.109 casos e 7 mortes.

Escorpiões são do grupo dos artrópodes e da classe dos aracnídeos, ou seja, são da mesma classe das aranhas, mas de outra ordem. Há várias espécies de escorpiões, porém os mais importantes no Estado de São Paulo são o escorpião-amarelo e o escorpião-marrom, sendo o amarelo mais perigoso.

Os sinais clínicos de uma picada de escorpião são a dor no local, que pode se irradiar a partes do membro atacado. Se houver uma picada no dedo do pé, a dor pode se irradiar até a canela; se for na mão, a dor vai até o braço. A dor no local é semelhante a uma agulhada profunda. Quando a dor fica só no pé, é considerado um acidente leve, mas pode se tornar moderado e vir a se agravar. São toxinas de efeito neurotóxico e causam, portanto, sintomatologias nervosas.

Se for leve, haverá dor, pequeno inchaço e eritema (vemelhidão e sudorese). Se for de moderado a grave, haverá sudorese profusa e sensações de náusea, com salivação e vômito. Aí já se trata de envenenamento mais grave, com hiper ou hipotensão (pressão subindo ou descendo), edema pulmonar, que provoca dificuldade para respirar, acelera a respiração, a qual fica mais difícil. Esses e outros sinais determinam que o envenenamento está evoluindo. De qualquer forma, é preciso que o serviço de saúde mais próximo seja imediatamente acionado.

Já se estiver só com dor, normalmente é feito, no serviço de saúde, um bloqueio anestésico no local da picada; mas se evoluir para o chamado escorpionismo, tem que ser usado o soro antiescorpiônico, o qual é desenvolvido pelo Instituto Butantan, assim como outros soros destinados a combater o ataque por animais peçonhentos.

O que fazer

Deve-se manter a pessoa calma e em repouso, quanto mais a pessoa ficar agitada mais rápido o veneno irá circular na corrente sanguínea, aumentando os efeitos. Colocar a pessoa no carro, se possível deitada, e levá-la o mais rápido possível a um pronto socorro.

Retirar relógios, anéis, pulseiras e sapatos, que possam funcionar como um garrote e se tornar impossível de tirar após o acidente.

-Lavar o local com água e sabão e não colocar nele nenhuma pomada ou alguma substância baseada em “crendice”.
-Elevar o membro onde ocorreu o acidente; se for o braço, levante-o; se for o pé, eleve-se a perna.
-Procurar imediatamente um ambiente hospitalar; enquanto o tempo passa, o veneno se espalha.

Prevenção

– O escorpião, por ser noturno, procura abrigo no quintal ou dentro de casa, em materiais de obra, entulhos, telhas empilhadas, restos de madeira e todo local que oferecer sombra e proteção é procurado.
– Ao colocar botas ou sapatos, verificar se não há escorpião ou aranha; faça-se o mesmo em relação às roupas que ficam sem uso por muito tempo, pois também podem servir de abrigo.
– Manter as fossas sépticas vedadas; se houver barata no ambiente, haverá escorpiões.
– Usar botas de cano alto em gramado e luvas de raspa de couro para retirar entulhos.
– Manter lixos em locais fechados e as camas longe das paredes.
– Colocar telas em ralos, pias, tanques, soleiras de porta e janelas. Em casas com gramado, ao roçar, os escorpiões podem fugir e escapar para casas onde existam vãos.
– Cuidado com controle químico, pois geralmente os inseticidas não matam o escorpião, mas podem provocar um estresse e aí eles passarão a andar pela casa, oferecendo mais perigo.
– Procurar empresas especializadas no assunto; evitar fazer controle químico por conta própria.
– Preservar os inimigos naturais dos escorpiões, os sapos são predadores de escorpiões e têm hábitos noturnos, as corujas também.
– Já as galinhas têm hábito diurno e, no final da tarde, vão dormir e é nesse horário que os escorpiões iniciarão suas atividades. Elas predam os escorpiões, mas só os que forem encontrados, pois se as galinhas não tiverem acesso a eles durante o dia ou se os tais estiverem debaixo de um tijolo, elas não irão predá-los, só se eles estiverem embaixo de folhas ou em gramados. “Nem sempre um animal predador vai ter contato com os escorpiões”, ensina o técnico, alegando não ter tido muito efeito a introdução de galinhas em alguns condomínios visando à redução no número de escorpiões.