Posto de Embu das Artes nega vacina a quem não tem comprovante de endereço em seu nome

A Prefeitura de Embu de Artes está negando a vacinação contra o coronavírus para pessoas que não possuem comprovantes de endereço em seu nome, mesmo morando há anos no local.

Nesses casos, os agentes de saúde do município estão exigindo uma declaração de residência feita com firma autenticada em cartório para aplicar o imunizante, informação que não consta no site da prefeitura.

Alessandra Vespa, de 31 anos, mora na cidade há dois anos e tinha agendado a vacinação para a última sexta (16), mas não conseguiu. Isso porque todas as contas da residência estão no nome do marido. “Levamos: RG meu e do meu esposo, comprovante de residência no nome dele, uma entrega do correio em meu nome e a declaração de união estável que fizemos ano passado. E, ainda assim, me negaram vacina”, conta ela.

Alessandra informou que os agentes de saúde disseram que ela precisaria de uma declaração de residência feita pelo marido com firma reconhecida em cartório e que só assim poderia receber a dose da vacina.

Ela, então, foi até o cartório para fazer a declaração e reagendou a imunização no site da prefeitura para a próxima sexta-feira (23). “Nós, moradores, não sabemos qual comprovante de endereço levar, existe algum tipo de burocracia em que alguns agentes de saúde aceitam fatura do cartão de crédito, por exemplo, e outros não. Existe uma falta de informação e orientação.”

A Prefeitura de Embu das Artes disse que “aceita qualquer documentação capaz de efetivamente comprovar residência, inclusive o cartão da unidade básica de saúde ou ainda as informações contidas no Ministério da Saúde”.

“Aceita-se além das comprovações usuais, do cartão da UBS, dos dados do Ministério da Saúde, qualquer comprovação efetiva, seja extrato de banco, holerite, contrato de locação, declaração com firma reconhecida, cartões de lojas de departamento”, afirmou a administração municipal.

O mesmo ocorreu com Anderson Salerno, de 37 anos, que mora com a esposa e a mãe na cidade e não possui contas de água, luz ou telefone no próprio nome. Anderson agendou a vacinação para 10 de julho, levando os documentos e o comprovante de uma compra recebida em casa no seu nome.

Os agentes de saúde também exigiram uma declaração de residência com firma reconhecida em cartório.

“Depois disso, faz até sentido a vacinação estar ‘adiantada’ na cidade. Eles estão dificultando a vacinação das pessoas, sobra vacina, assim eles abrem para as outras faixas”, argumenta Anderson. Ele reagendou a vacinação para quinta-feira (22), já com a declaração pronta.

Anderson e Alessandra foram impedidos de receber a imunização no posto do Estádio Municipal Hermínio Espósito. O pai de Anderson, de 72 anos, também teve problemas para se vacinar no local por não ter contas de casa no seu nome. Ele teve que procurar um outro posto, onde conseguiu a aplicação da vacina.

Do G1