Outubro Rosa Pet: campanha alerta para câncer de mama em cães e gatos

Animais de estimação também podem desenvolver a doença, que pode ser prevenida com castração e check-up periódico

No início de 2012, Moah foi diagnosticada com câncer de mama. A descoberta se deu nos exames de rotina. Foi operada, teve que fazer quimioterapia e hoje está bem. Há cinco anos, Pepita também teve nódulos nas mamas e precisou retirá-los. O que elas têm em comum?

Além de terem enfrentado essa doença, são animais de estimação. Moah é uma Schnauzer de 13 anos e Pepita uma vira-lata de 15 anos. Essas histórias reais mostram que, assim como as mulheres, os pets também podem apresentar esse problema. Segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária, o câncer mamário atinge cerca de 30% das gatas e 45% das cadelas. Embora a incidência seja menor entre esses felinos, a doença neles costuma ser mais agressiva.

A principal forma de prevenção do câncer de mama em cães e gatos é a castração. O médico veterinário Luciano Granemann e Silva, membro do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina e proprietário da Cão.Com, afirma que o procedimento pode ser feito a qualquer momento, mas o ideal é antes do primeiro cio, por volta do 5º ou 6º mês de vida. Para ele, os benefícios da castração superam os possíveis efeitos colaterais, raros e que se manifestam em apenas 1% a 2% dos animais, como aumento de peso, incontinência urinária e alopecia (queda de pelos).

O “autoexame”, ou palpação de mamas, é outro importante método de prevenção. Luciano recomenda que ele seja realizado não apenas pelos médicos veterinários durante os exames clínicos, mas também por tutores dos pets. “Sugiro ao menos uma vez por mês. É fácil e muito eficiente”, garante.

Outro recurso muito utilizado é o ultrassom. Segundo a médica veterinária Marieli Fiuza Krüger, especialista em Ultrassonografia de pequenos animais na Cão.Com, esse exame não tem contraindicação e ajuda a detectar neoplasias em fases iniciais. “Indico fazer um check-up pelo menos uma vez por ano e a cada seis meses após os 7 anos”, afirma. Marieli recomenda também a realização do ultrassom de abdômen para averiguar a presença de indício de metástases abdominais em pets que têm nódulos mamários.

Em estágio inicial, o câncer mamário é assintomático. “O animal pode ter a doença e se mostrar bem. Por isso é fundamental a prevenção”, afirma Marieli. Ela conta que geralmente aparece um pequeno nódulo em uma das mamas, que pode crescer e outros surgirem. “Apenas em um estado mais avançado, quando são grandes ou até ulcerados, podem provocar desconforto, mau cheiro, dor e apatia”.

Segundo pesquisas, a probabilidade de desenvolvimento de tumores mamários aumenta com o avanço da idade do animal. Segundo Marieli, a manifestação é maior entre 10 e 11 anos, sendo mais elevada entre fêmeas não castradas. “A castração realizada antes do primeiro cio reduz o risco de desenvolvimento das neoplasias mamárias para 0,5%. Este risco aumenta para 8% entre as esterilizadas após o primeiro cio e para 26% após o segundo”, explica a médica veterinária.

Moah, a Schnauzer guerreira

A empresária Alessandra Almeida Lazzarini levou um susto em 2012: sua schnauzer Moah, na época com 8 anos, estava com câncer de mama. “Ela teve três gravidezes psicológicas desde 2010 e produção de leite. Por conta desse fato, a veterinária dela estava sempre atenta às mamas, foi quando descobriu o problema durante uma consulta”, afirma. A cadelinha foi operada, fez quimioterapia e se curou. “Nossa pequena guerreira foi forte, teve poucos quadros de vômito e alteração de cor do pelo somente em uma região da cabeça”, relembra. Há dois anos, foi encontrado outro nódulo. “Ela passou por outra cirurgia, mas dessa vez não era maligno”, conta, aliviada.

Moah não era castrada. Alessandra explica que, como a ideia era cruzá-la, para ficar com um dos filhotes, optou por não fazer o procedimento. Após a descoberta do tumor, ela foi esterilizada e passou a fazer exames com maior frequência. “A cada três meses intercala ultrassom, raio-X e exame de sangue”.

Alessandra conta que até Moah ter câncer de mama, não tinha parado para refletir que cães também podem desenvolver a doença. “Após tudo isso, tento alertar quem encontro nas pracinhas da cidade com seus animais. Ainda não castrou? Vai cruzar? Não, então castra, pois é perigoso”.

Pepita, a vira-lata que não se entrega

Há cinco anos, a assistente social aposentada Neusa Glória Machado Schmidt também teve que lidar com um diagnóstico de câncer de mama em sua vira-lata Pepita, que na época não era castrada e tinha 10 anos. “Aconteceu cerca de um ano após a morte de uma cachorrinha que era companheira dela. O nódulo foi encontrado durante um exame de rotina na clínica veterinária. Ela foi operada, mas não precisou fazer quimioterapia”, conta a tutora. Em março, houve reincidência e foram retirados outros dois nódulos. Como forma de prevenção, Pepita faz regularmente ultrassom de mamas e abdômen.

Neusa afirma que após a descoberta do câncer em Pepita, passou a ficar mais atenta aos sinais. “Não saio por aí fazendo campanha, mas se existe uma situação propícia, alerto outros donos de animais”, conta.

Salva pelo diagnóstico precoce

Há sete anos, a psicóloga Telma Pereira Lenzi descobriu um câncer de mama. “Eu tinha 50 anos, não tinha histórico familiar e fazia meus preventivos, ultrassom, mamografia, todo ano em abril. Era junho, senti uma fisgada na mama esquerda, passei a mão e percebi uma bolinha. Logo fui ao médico e fiz exames e a biópsia confirmou a suspeita”, relembra. Ela retirou as duas mamas como forma de prevenção e, como o nódulo foi descoberto bem no início, não precisou fazer quimioterapia. “Sou muito grata por ter descoberto cedo, pois só retornaria ao ginecologista em junho do próximo ano, quando ele já tivesse crescido, se espalhado e talvez eu não estivesse mais aqui”.

Apaixonada por gatos, Telma conta que tem duas fêmeas, as persas Yumi, 13 anos, e Kim, 8 anos, que fazem check-up na clínica veterinária todo ano. “Não sabia que podia fazer a palpação de mamas nelas. A campanha do Outubro Rosa para os pets é um importante para que os tutores fiquem mais atentos aos seus animais de estimação, que hoje são como membros da nossa família”, relata

Serviço:
O que: Castração de fêmeas de cães e gatos
Quando: Pode ser feita a qualquer momento, mas o recomendado é antes do 1º cio, pois reduz significativamente o risco de câncer de mama
Onde: Clínicas veterinárias, entre elas a Cão.com, e gratuitamente na Diretoria de Bem Estar Animal (Dibea), da Prefeitura de Florianópolis, para famílias com renda de até dois salários mínimos, mediante comprovação de renda e domicílio. Os interessados devem se dirigir pessoalmente à sede da Dibea, na SC-401.
Clínica Cão.com: Av. Me. Benvenuta, 1642 – Santa Mônica – Florianópolis – SC. Fone: (48) 3234-2480