Os efeitos comportamentais nocivos da pandemia

Uma senhora, de Florianópolis, reclamou por ter recebido um lanche errado e causou grande reboliço. A mulher disse que veio um cachorro-quente com bacon. A partir daí, começaram a circular imagens em vídeos do motoboy sangrando, dizendo que apanhou do namorado da cliente. As mensagens circularam rapidamente. Para concluir, a cliente já não podia sair de casa. Muitos motoboys cercavam sua residência com ameaças. Para sair, ela precisou entrar no porta malas de um carro e deixar do estado de Santa Catarina.

O fato mostra como as pessoas estão nervosas! O isolamento provoca um alto grau de ansiedade. Qualquer motivo é suficiente para reações fortes da parte das pessoas. A preocupação e insegurança sobre como as coisas vão terminar geram comportamentos agressivos, as pessoas ficam tentando resolver as situações à força e com violência.

Por sua vez, os grupos, ou podemos dizer as tribos, identificam-se com forte nível de compromisso: um por todos, todos por um; mexeu com um mexeu com todos. Os interesses são diversos, uma vez que esses grupos se sintam ameaçados as reações são diversas.

Os abutres voam

Um casal faleceu vítima de Covid 19 na Paraíba. Logo após sua morte, a casa onde morava foi saqueada, roubaram tudo. O casal tinha uma empresa de eventos, todos equipamentos foram levados, foi um saque total. Em meio à morte e a desgraça tem aqueles que se prevalecem da situação de fragilidade e sofrimento e procuram tirar algum tipo de vantagem. Os assaltos, saques e roubos diversos estão fazendo parte no dia a dia das grandes e pequenas cidades.

Precisamos aliviar a tensão

Em meio a tanta insegurança e ansiedade, cada individuo deve buscar alternativas que ajudem a aliviar o desgaste emocional devido à situação. Tem aumentado significativamente aqueles que optaram pelo ciclismo, grupos se juntaram para programar exercícios, boas pedaladas e conhecer novos lugares. Outros se organizaram nos condomínios para exercícios ao ar livre, academias se tornaram uma alternativa para aliviar a tensão. As comunidades de fé exercem um papel muito importante diante dessa calamidade, na religião o individuo encontra paz e as orientações religiosas fundamentam princípios de serenidade e domínio próprio.

Ações humanitárias

Quando nos dispomos para ajudar aqueles que sofrem, percebemos que nossos problemas são bem menores do que os sofrimentos alheios. O caso da filha que cuidou da mãe durante muito tempo para que ela não se contaminasse, por fim a mesma filha se contaminou e levou o vírus para a mãe que veio a falecer, por tristeza profunda a moça também tirou a sua vida. Aquela moça que trouxe o vírus para sua família, dezoito pessoas foram contaminadas e três vieram a falecer. São casos extremos e pessoas que precisam de atenção e carinho para aliviar suas dores, não apenas físicas, mas emocionais.

Segue algumas ações que podem ajudar as pessoas. 1. Mobilizar as pessoas do condomínio para montarem cestas básicas para ajudarem pessoas que estão passando por necessidades. 2) Montar ações de apoio para idosos que não podem se dirigir ao supermercado ou farmácia para ajudar na compra de comida ou remédios. 3) Identificar profissionais de saúde e presentear com um bolo ou caixa de chocolates com um cartão de agradecimento por sua dedicação e solidariedade. 4) Um vizinho ou conhecido ou parente esta com Covid, deixe um presente na porta da sua casa ou do seu apartamento com um cartão desejando melhoras.

Enfim, os dias difíceis devem gerar solidariedade e fraternidade! Não é tempo para violência ou qualquer outro tipo de agressão. Precisamos promover a paz entre as pessoas. No que depender de cada um, deve haver autocontrole, solidariedade e fraternidade. Devemos buscar a paz e empenhar-se por alcançá-la.

Sobre o autor: Cícero Manoel Bezerra é coordenador e professor da área de Humanidades da Escola Superior de Educação do Centro Universitário Internacional Uninter.