O peso da indústria na região de Cotia, por Rafael Cervone, da Ciesp

Na área da Diretoria Regional do CIESP de Cotia, que abrange também os municípios de Araçariguama, Embu das Artes, São Roque, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista, na qual vivem 974,47 mil habitantes, a indústria é responsável, em média, por 23,76% do valor adicionado, 26% dos empregos formais e paga os salários mais altos, de R$ 3.600,00.

Os números, calculados com base em informações da Fundação Seade – Sistema Estadual de Análise de Dados, demonstram a importância do setor para a economia local, paulista e brasileira.

Assim, apesar das dificuldades conjunturais relativas à Covid-19, os municípios da região de Cotia têm boas razões para celebrar o Dia da Indústria, neste 25 de maio. O setor, não apenas na região, mas em todo o País, é gerador intensivo de empregos, paga os melhores salários, desenvolve tecnologia e inovação e fabrica produtos e bens de alto valor agregado.

Por isso, precisamos trabalhar muito para seu fomento. A agenda de fortalecimento e resgate da competitividade da indústria é muito relevante para o País, pois as nações que conseguiram dobrar sua renda média num período de apenas 15 anos foram aquelas que elevaram a participação do setor a um patamar acima de 20% do PIB. Por isso, precisamos vencer as barreiras que continuam dificultando seu avanço, como o atraso do marco legal, insegurança jurídica, burocracia, impostos exagerados, baixa disponibilidade de crédito e todos os fatores referentes ao chamado “Custo Brasil”.

Não podemos mais perder tempo. Na década recém-terminada, de 2011 a 2020, o mundo cresceu 30% e o Brasil, apenas 3%. Por isso, teremos de realizar em plena crise da Covid-19 o que negligenciamos há muitos anos, a começar pelas reformas estruturais, principalmente a tributária e administrativa, e adoção de uma eficaz política industrial, para que o setor tracione o desenvolvimento nacional.

Os números são incontestáveis quanto ao significado da indústria: apesar de representar 11% do PIB, responde por mais da metade das exportações de bens, 69,2% do investimento empresarial em P&D, 33% da arrecadação de tributos federais, 25% do total nacional de impostos e 31,2% da arrecadação previdenciária patronal; emprega 20,4% dos trabalhadores brasileiros; e é a atividade que mais promove a difusão de tecnologia e produtividade, segundo dados do IBGE.

Porém, o setor enfrenta grave perda de competitividade. Estudo do MBC – Movimento Brasil Competitivo revelou que produzir no Brasil custa anualmente R$ 1,5 trilhão a mais, cerca de 22% de nosso PIB, do que na média dos países membros da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Precisamos reagir de imediato, inclusive mobilizando as empresas, por meio de nossas entidades de classe no Estado de São Paulo – o CIESP e a FIESP –, para influenciar a modernização das leis que regem a economia e a adoção de uma política industrial eficaz e duradoura. Isso é decisivo para o Brasil crescer de modo sustentável, promover aumento e melhor distribuição da renda e alcançar um patamar mais elevado de desenvolvimento.

Também é fundamental capacitar os recursos humanos atuais e as futuras gerações para as mudanças em curso e o advento da inteligência artificial, internet das coisas, robotização, machine learning e digitalização da economia, cujo advento foi acelerado pela pandemia.

Nesse aspecto, a educação, ainda precária no Brasil, tem missão relevante, fator que demonstra o significado do Sesi-SP e do Senai-SP, vinculados à FIESP, exemplos de excelência no ensino, que prestam serviços inestimáveis aos industriários, suas famílias e a toda a sociedade.
Os desafios são muitos. Porém, como se verifica em Cotia, Araçariguama, Embu, São Roque,Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista, os industriais são resilientes, capazes de superar adversidades e têm demonstrado muita competência para manter suas empresas vivas e gerar empregos em cenários desfavoráveis. Por isso, apesar das dificuldades atuais e da grave crise relativa à pandemia, celebramos este Dia da Indústria com esperança e a certeza de que o setor será protagonista de um novo e próspero Brasil.

*Rafael Cervone é vice-presidente da Fiesp/Ciesp (Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).