Cotia completa 160 anos. Veja curiosidades de nossa cidade

Neste dia 2 de abril, Cotia completa 160 anos de emancipação política administrativa. A cidade cresce a cada dia e já chega a aproximadamente 232 mil pessoas morando em seu território de cerca de 323,891 km².

Com o crescimento desordenado, vem os problemas, como a falta de infraestrutura, saneamento básico, educação precária e sistema de saúde insuficiente para atender a população. Sem dizer dos desmatamentos e a falta de cuidado com o meio ambiente por parte da administração e também dos moradores.

Mas, o foco desta matéria não é mostrar os problemas da cidade, já que isso relatamos todos os dias aqui no Jornal Cotia Agora e em nossas redes sociais.

Hoje, mostraremos algumas curiosidades da cidade, como, por exemplo, a prática de um esporte diferente, o Gateball. Você sabia que um cotiano foi lutar na guerra e hoje é nome de uma das principais avenidas da cidade?

Confira:

Esporte estranho?

gateballCotia tem um dos poucos campos para a prática de Gateball, um esporte de origem japonesa e praticado exclusivamente em Caucaia do Alto pela colônia nipônica.

O Gateball foi criado em 1947 no Japão, quando o país passava pelo pós-guerra.  O Japão estava sofrendo muito, o pessoal passando fome e para as crianças não ficarem sem nenhum divertimento, o Gateball foi criado.

Logo se viu que era um esporte que não exigia muito esforço físico e os jogadores precisavam usar a cabeça e a estratégia.

O esporte é praticado há 30 anos na Associação Cultural e Desportiva de Caucaia do Alto. São dezenas de pessoas, a maioria idosos, mas com uma nova geração que representa a cidade em competições pelo estado e até fora do Brasil. O Gateball de Caucaia foi o primeiro campeão brasileiro e os títulos se repetiram, tanto no masculino como no feminino. Hoje quem comanda o Gateball é o Julio Hagio, que é o cara que tem o melhor pastel de Cotia, no Mercadão Municipal.

Nomes de ruas

pageMuitas ruas de Cotia receberam nomes de personalidades da cidade, pessoas que fizeram algo pelo crescimento do município. É uma infinidade de gente, que, por falta de espaço na matéria, não dá para fazer uma homenagem mais ampla. Destacamos aqui cinco deles:

A avenida que liga o centro ao Jardim Arco Verde leva o nome de um pracinha, como eram chamados os soldados que lutaram na 2ª Guerra Mundial. Antônio Mathias de Camargo foi um dos soldados que saíram de Cotia para lutar contra o inimigo, o Eixo, comandado por Adolf Hitler. Junto com ele foram mais três cotianos. Luís Rocha (pai do prefeito de Vargem Grande, Roberto Rocha), Ernesto Ramos (do Morro Grande) e mais um morador da região do Jardim Sabiá (por favor, se alguém souber quem é, nos avise, pois não conseguimos apurar o nome).

Silvio Pedroso foi empresário na cidade, dono do Supermercado Pedroso, na época que ainda só existia a loja da Praça da Matriz, dando empregos diretos e indiretos aos cotianos.

José Félix de Oliveira foi administrador da fazenda dos irmãos Genuíno e Niso Viana, que hoje nada mais é que a Granja Viana. Ele ajudou no crescimento da região que se tornaria um bairro. A rua foi batizada com o nome de José Félix pelos irmãos Viana logo após a morte dele.

Professor Manoel José Pedroso é o nome da principal avenida de Cotia, conhecida como Raia. Morador do centro da cidade, o professor foi homenageado nos anos 80 com seu nome na via.

Theodomiro de Castro Pedroso, mais conhecido como Nhonhô, foi e fez de tudo em Cotia. Doceiro, coveiro, comerciante e, principalmente Juiz de Paz, unindo centenas de casais. Quem casou até 1983 (ano de sua morte), com certeza foi “enforcado” por Nhonhô.

page1Monumentos históricos

Cotia tem três monumentos históricos e, dois deles, muitos moradores não conhecem, principalmente por não terem se tornado pontos turísticos; os sítios do Mandú e do Padre Inácio.

O Mandu é um casarão da época dos Bandeirantes e fica na região do Caiapiá. Sua construção é do século 17 e dizem as histórias que os Bandeirantes usavam o local para descansar das longas viagens. Naquela região havia tribos indígenas que moravam no leito do rio, que hoje é o Ribeirão Rio das Pedras. O Mandu tem quatro quartos e dois alpendres que eram usados para a área social e serviços domésticos. Um quarto de hóspede e uma capela completam a construção.

O Sítio do Padre Inácio é tombado pelo Iphan e também é da época bandeirista-jesuítica. Com paredes em taipa de pilão, a construção é do século 18 e tem quartos, sala principal, capela e sótão. Inácio se tornou padre em 1810 e era proprietário da área, onde rezava missas para os poucos habitantes da época.

A Igreja da Matriz, batizada de Nossa Senhora do Monte Serrate, foi construída em 1713 em uma área cedida pelo coronel Estevão Lopes de Camargo (que também é nome de rua no centro). Primeiramente como capela, ao longo dos anos foi ampliada e hoje essa é considerada por muitos a edificação mais antiga de Cotia.

page2Fé e meditação: Templos e igrejas

Cotia é uma cidade que abraçou todas as religiões, credos e espiritualidades. Muitas igrejas católicas e evangélicas estão instaladas na cidade, dando opções para quem busca abrigo na fé.

Há também casas espíritas com orientações sobre o kardecismo, umbanda e candomblé. Além disso, nos últimos anos a cidade recebeu dois templos budistas Zulai e o Odsal Ling.

O Zulai foi inaugurado em 2003 na Estrada Fernando Nobre e atrai não só os seguidores do budismo, como fieis de outras crenças. Instalado em uma área de 150 mil m², com área construída de 10 mil m², é um dos pontos turísticos mais visitados em Cotia e se tornou referência, após o fim da Roselândia, considerada por muitos anos como a “cara” da cidade.

Já o Odsal Ling foi inaugurado em 2008 e fica na região da Estrada do Capuava. Também é um templo budista, construído em arquitetura tibetana, atrai um número menor de pessoas que o Zulai pelo fato de não ser totalmente aberto (as visitas são agendadas).

A igreja católica do Arautos do Evangelho também é um marco da arquitetura em Cotia, como mostra a imagem ao lado.

pedroA “maravilha” da cidade

Muitos já ouviram falar das Sete Maravilhas do Mundo, lugares belos e de grande importância para a humanidade e seus respectivos países.

Em Cotia seria difícil escolher “7” pontos bonitos, esplendorosos, mas, com certeza, a principal é a Reserva Florestal e a represa Pedro Beicht. A área de 10.870 hectares corresponde a um terço do território cotiano. A Reserva tem 673 espécies de árvores e dezenas de tipos de animais. Ela é considerada pela Unesco como área de alta relevância ecológica e humana.

A barragem Pedro Beicht faz parte do sistema de abastecimento de água do Alto Cotia. Inaugurada em 1929 para preservar a qualidade das águas, o entorno é preservado. Volume útil do reservatório: 14,1 milhões m3.

cemiterio7Cemitério central

Muitos vão achar meio estranho a citação do cemitério de Cotia, mas ele também é um dos pontos antigos da cidade. Os relatos são de que os mortos passaram a serem enterrados ali em meados do século 19. Antes, o cemitério era ao lado da Igreja da Matriz.

Há túmulos que registram a data de sepultamentos por volta de 1880.

page3Parques: Momentos de paz ou diversão

Somente dois parques em uma área tão grande como a de Cotia. É pouco. Mas, muitas pessoas preferem frequentar os dois parques da cidade, ambos na região da Granja Viana, para momentos de lazer, praticar esportes, namorar e até fazer churrasco com os amigos.

O Cemucam é o principal e pertence à Prefeitura de São Paulo. Criado em 1968, já foram detectados nos últimos anos 120 espécies de fauna, incluindo oito de borboletas, cinco de répteis, 92 de aves e 11 de mamíferos. A vegetação é composta predominantemente por remanescentes de Mata Atlântica, em uma área de 500 mil m².

O Parque Teresa Maia fica do lado oposto do Km 25 da Raposo Tavares. Inaugurado em 2008, foi construído em uma área degradada de 24,5 mil m² que abrigava um lixão, na esquina das ruas Santarém e Direita, na Granja Viana.

tremEconomia brasileira passa por Cotia, e de trem

Vagões e mais vagões de trem carregados de soja e diversos grãos, minerais e combustível para abastecer todas as regiões do Brasil e países de todos os cantos do Mundo passam na ferrovia que corta Cotia, em Caucaia do Alto. São cargas avaliadas em bilhões de reais, que movimentam a economia do País.

A linha férrea que liga o interior ao porto de Santos corta um bom trecho de Cotia desde a Rodovia Bunjiro Nakao até o limite com Itapecerica da Serra e Juquitiba. A Estação Caucaia foi inaugurada em 1934 e já foi usada como cena em filmes como Mágoa de Caboclo (1969) e um documentário sobre Pelé, em 1998.

Cotia tinha outra estação, a Aguassaí, construída em 1936 e que servia como posto telegráfico. Nos anos 70 foi demolida.

page6Congada, tradição de mais de 50 anos

Todo mês de maio é época de congadas de diversos municípios visitarem Cotia.

A Congada de São Benedito, criada pelo Sr. Dito de Castro há mais de 50 anos é, sem dúvida, a maior manifestação cultural da cidade, relembrando tradições africanas e homenageando os negros do Brasil.

 

 

Cotia, uma ex-mini Hollywood?

Você pode não saber disso, mas muitos comerciais de TV e cenas de estúdio do cinema brasileiro são filmados em Cotia, na sede de uma produtora na Granja Viana, a O2.

Agora, o que dizer dos filmes que já foram rodados em Cotia nas décadas passadas? Sim, principalmente as pornochanchadas dos anos 70, estrelados por atores globais que ainda estavam em início de carreira.

virgem-poster01Em 1969, Mágoas de Caboclo foi gravado em Caucaia, ainda com ruas de terra e casas de taipa. Era uma espécie de cópia do Mazzaroppi, com um caipira matuto.

Quem viu a sessão “Sala Especial”, que passava nos anos 70 e 80 na TV Record pode ter assistido filmes rodados em Cotia e nem sabia. Stephan Nercessian, Jô Soares, Alcione Mazzeo, Nuno Leal Maia, Kadu Moliterno, Tony Tornado e Dionísio Azevedo estrelaram filmes como “A Virgem” e “Amante Muito Louca”, rodados em casarões da cidade e sítios como dois que existiam no Jardim Pioneiro. A Raposo Tavares no trecho do Km 30 foi cenário de algumas aventuras dessas películas.

No centro de Cotia era rodado no início dos anos 70 o seriado de TV “Don Camilo e os Cabeludos”, estrelado por Otelo Zeloni (que morava na Granja Viana, onde hoje é o The Square) e Dênis Carvalho.

Nos anos 60 e 70 a atriz Theresa Bianchi, moradora de Cotia estrelou vários filmes, alguns ao lado de Zé do Caixão. O curta metragem “Chapa” tem como ator principal outro cotiano, Helias Neto.

A cidade foi usada em cenas de filmes como Pelé Eterno e Xingú e do documentário de Nelson Pereira dos Santos, “A Expansão Territorial”.

Para quem curte filmes pornôs, chácaras e sítios de Cotia, além de ruas e a Raposo Tavares já foram cenários no gênero. Aliás, a produtora Brasileirinhas, considerada a maior do Brasil, é em Cotia e seus estúdios ficam em um condomínio de luxo da cidade, muito bem escondido.

agroO alimento de boa qualidade na mesa do paulista

Cotia tem, principalmente na região de Caucaia do Alto, grandes e pequenos produtores rurais, que abastecem não só o mercado interno, mas o Ceagesp e comércios do estado todo.

A agricultura familiar é bastante presente em alguns pontos da cidade e essa característica econômica, além de contribuir para a geração de renda do município, garante a subsistência por meio do cultivo da terra.

mercadao1Mercadão Municipal

De uma simples alface até um jamón (presunto espanhol), de grãos, antepastos e bebidas finas, até tentar a sorte em uma das loterias.

O Mercadão Municipal de Cotia reúne em um só lugar milhares de produtos, em sua maioria alimentos, além de ter uma lotérica que vive cheia de apostadores e ainda o pastel delicioso da pastelaria do Júlio. Um ponto de encontro para muitos.

mansurCidade que acolhe do nordestino ao asiático

Uma verdadeira ONU (Organizações das Nações Unidas). É assim Cotia, que abrigou estrangeiros de diversas nacionalidades e migrantes de todos os cantos do Brasil. Aqui tem nordestino de monte, mineiros que até são maioria em uma região, a do bairro do Rio Cotia, gaúchos, nortistas, enfim, gente do Brasil todo, que deram sua contribuição no crescimento da cidade.

Mas, estrangeiros chegaram a Cotia no século passado, principalmente os japoneses, a maior colônia por aqui. Porém, muitos árabes vindos de países como Líbano (como o comerciante Mansour, na foto), italianos, portugueses, sulamericanos e europeus de nacionalidades diferentes também chegaram aqui, constituíram famílias e crescerem na vida em Cotia.

luisaoPersonagem

Quer um personagem cotiano que tem muito a ver com a cidade? Luisão Silva, que também faz aniversário em 2 de abril.

O Luisão não nasceu em Cotia, veio ainda garoto da Capital para Cotia com a família, que foi adquirindo propriedades na cidade, principalmente na região do Portão.

Luisão é arquiteto, e muitos prédios e residências construídos em Cotia foram projetos dele. Já jogou vôlei, futebol, militou na política e é daqueles caras que todo mundo adora sentar e bater um papo, ouvindo os causos e histórias de Cotia, vividos ou não por ele.

Imagens do Zulai e Arautos: Itamar de Oliveira