Coluna espírita de Lúcio Cândido Rosa: Família

No último dia da criação, Deus fez o homem e a mulher. Viu tudo que havia criado e disse: “Crescei e multiplicai-vos.”

A partir daí os instintos afloraram-se e os relacionamentos mútuos foram tumultuados sexualmente, até que o homem civilizado, constituiu a família mostrando assim, seu progresso espiritual.

Hoje, sabemos que a família é a mais importante célula da sociedade, mas, algumas conseguem viver em equilíbrio, e outras, nem tanto. De todas as associações da Terra, ela é a mais importante em suas funções: educativas e regeneradoras.
Esta agremiação, dentro da qual a maioria de nós pertence, normalmente é formada por seres que conjugam e atendem aos vínculos afetivos, surgindo assim o lar, que é a garantia e o alicerce da nossa civilização.

E assim, através de um casal, formado por um homem (nosso pai) e uma mulher (nossa mãe), abriu-se para nós as portas da reencarnação, seguindo as Leis Divinas, que regem todo o Universo, dando-nos a oportunidade da execução dos programas já preestabelecidos na Espiritualidade, no Departamento da Reencarnação.

O Espiritismo nos apresenta, no capitulo XIV, do Evangelho Segundo o Espiritismo, dois tipos de parentesco familiar: um corporal e o outro espiritual.
“Há, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos espíritos, através de migrações da alma, as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e, muitas vezes, se dissolvem normalmente, já na existência atual.”

As famílias espirituais são constituídas pelos espíritos afins, que se amam e unem-se para auxiliar as corporais. Através da paternidade e da maternidade constituímos a família corporal. É uma oportunidade sublime pela qual Deus nos facultou a cocriação: fornecemos o corpo físico e Ele, o espírito.

São laços de amor que irão auxiliar-nos a conquistar a proteção da espiritualidade de grupos afins, desde o início da gestação, continuando no decorrer da existência. Aqui na terra é natural que sejamos criaturas que nos façamos assistidas por outras da mesma faixa de interesse afetivo, obtendo todo auxilio necessário, para guiar-nos nas experiências da vida e alcançarmos o progresso e burilamento necessários.

A família terrena é o filtro da família espiritual, organizada além da existência física, mantendo os laços pré-existentes de “amor ou ódio”, entre aqueles que comungam o mesmo clima.

Tudo isso ocorre porque estamos presos a vidas passadas, atraindo para próximo de nós os afetos e desafetos, amigos e inimigos, para ajustes e reajustes indispensáveis mediante a “Lei de Causa e Efeito”.
Assim, teremos dentro do seio familiar, a parentela corporal e espiritual, onde estaremos unidos pelos laços de simpatia ou antipatia constituídos anteriormente em outras vidas, tendo a sua continuidade na vida terrena, para que possa servir de prova ou expiação.

Dessa forma, podemos compreender, que os verdadeiros laços familiares não são os consanguíneos, mas os de comunhão de pensamentos que perdura entre os espíritos mesmo depois de desencarnados, pois o corpo procede do corpo, mas o espírito não procede do espírito, porque ele já existe antes da formação do corpo; assim os pais não criam o espírito dos filhos só fornecem o corpo físico e dão a oportunidade para que todos desenvolvam-se intelectualmente, moralmente e espiritualmente.

Para uns, os laços de amor irão fortalecer-se e para outros, haverá a oportunidade de depuração na vida atual. Porém, se o sentimento adverso persistir, mesmo depois da morte, poderá haver outras migrações da alma para esse mau sentimento se dissolva.

Foi isso que Jesus quis mostrar naquela passagem em que sua mãe e seus irmãos irados, procuravam-no. O Mestre, nesse momento, queria exemplificar essa relação entre famílias espirituais e corporais dizendo aos seus discípulos: – “Eis aqui minha mãe e meus irmãos”, ou seja, aqueles que estavam unidos pelos laços do Espírito, fazendo a vontade de Deus.

Conclusão: Se estamos vivendo dentro do seio familiar, não fiquemos preocupados pela forma que ela foi constituída, como o fez Jesus.
Aproveitemos todas as oportunidades possíveis para colaborarmos ou acertarmo-nos com aqueles que tenhamos muitas divergências, deixando para traz indiferença, ressentimento, amargura e o ódio, que atravancam todo o nosso progresso físico, moral e espiritual.

Muita paz!

* Lucio Cândido Rosa escreve mensalmente sobre espiritismo e espiritualidade no Jornal Cotia Agora. Quer enviar sugestão de algum tema para que ele aborde? Envie para o email [email protected]