Coluna da psicóloga Adriana Biem: Maturidade Emocional

Por esses dias, estava pensando um pouco a respeito de maturidade emocional e fiz alguns caminhos que quero compartilhar com vocês.

Para explicar, vou dar o exemplo primeiramente das crianças. Todo mundo já percebeu o quanto as crianças são, inúmeras vezes sem muitos limites para brincar. É um escândalo quando a brincadeira acaba, quando o amiguinho tem que ir embora de sua casa, quando o adulto fala que está cansado depois de intermináveis “de novo”, quando chega a hora de ir embora do parquinho. As crianças agem de forma extremada quando querem alguma coisa. Fazem birra, choram, gritam e não querem que aquele momento tenha fim, até finalmente serem vencidas pela exaustão.

Outro exemplo são os adolescentes que também acabam tendo atitudes extremadas. Fecham a cara de um jeito que parece que está tudo sempre ruim, pensam em fugir de casa, caso os pais o proíbam de alguma coisa, comem muito, dormem muito e fazem o que for possível para que tenham seu lugar no mundo definido, para que possam adquirir a sua individuação. Ao mesmo tempo em que querem fazer parte de um grupo de amigos, no qual se vestem todos da mesma forma, com a mesma marca de roupa, tentam ao máximo ficar diferentes dos pais e mostrarem que já são “independentes e adultos”. Difícil argumentar nessas fases.

A gente percebe que está amadurecendo emocionalmente, quando finalmente conseguimos ponderar as coisas, quando finalmente conseguimos enxergar os dois (ou mais) lados de alguma situação, entender as partes e com calma pensar sobre aquelas informações. Quando conseguimos deixar algo para depois, uma briga, por exemplo. Casais de adolescentes brigam na frente de quem for e na hora que bem entenderem. Um casal de adultos, que já está maduro, consegue controlar o seu ímpeto para conversar depois, sabem que aquela maneira não é a melhor de conversar e conseguem controlar seu impulso de agir naquele momento.

Os extremos são vistos também, quando uma briga, pode representar o fim. O casal briga, e uma das partes diz: Acabou! A gente nunca vai dar certo mesmo, melhor parar por aqui!! E isso acaba se repetindo em muitas outras brigas. O Imaturo não consegue resolver, ele quer ver um fim. É como brigar com o amiguinho e levar o brinquedo embora para ninguém mais brincar. É tipo, o brinquedo é meu, as regras são minhas, me obedeça, ou suma!

Pessoas assim, também tem uma grande dificuldade em ouvir críticas, pois se alguém os critica, é porque os odeia. Um extremo absurdo, no qual a pessoa não entende que pode amar alguém, mas que pode enxergar naquela pessoa características não tão boas. E que mesmo assim, não deixa de amá-la. Acha que qualquer cara feia, qualquer momento mais pensativo do outro, significa que o amor acabou e que a pessoa não gosta mais de você. Existe aí um lado meio dramático, de novo, extremo!

Quando ficamos mais maduros e entendemos melhor qual é o nosso lugar, acaba a necessidade de ter que se colocar o tempo todo, de ter que mostrar a força quem é você e sair provando a torto e a direito quais são as suas características.

Ser mais ponderado e usar mais de meios-termos, não significa não ter opinião sobre as coisas, e sim tomá-las de uma forma mais equilibrada. Não ter opinião, acaba te levando à mesma situação. Você sai de um extremo onde precisa impor sua opinião de qualquer jeito, para ir a outro onde parece aceitar tudo que os outros te impõe. Ter opinião sobre as coisas e saber como e quando colocá-la é muito importante para se manter esse equilíbrio.

Mais maturidade emocional significa desenvolver mais competências para lidar com dificuldades e ter melhor tolerância às frustrações. Significa aprender a lidar melhor com as decepções da vida e conseguir na maior parte das vezes construirmos boas vivências com as pessoas visando um bem maior, de mais harmonia à sua volta.

Pessoas mais maduras são mais estáveis, e assim proporcionam maior segurança aos que com ela convivem. É difícil estar com alguém que muda o tempo todo e ao invés de desenvolver admiração, desenvolvemos medos. Pessoas imaturas acabam passando medo para os que estão perto, pois a sua reação é sempre imprevisível.

Lembrando que maturidade emocional não tem a ver com idade. Existem pessoas idosas que tem bem pouca maturidade emocional e pessoas mais jovens que se destacam pela forma que se colocam no mundo.

*Adriana Biem é psicóloga e escreve quinzenalmente no Jornal Cotia Agora – Telefone: 9-9495-2141 – adrianabiempsicologa.com.brEmail: [email protected]