Psicóloga Adriana Biem: “Promessas de Fim de Ano”

Final de ano é um prato cheio para começarmos a jogar todos os nossos desejos e expectativas para o ano seguinte e aproveitar para dar uma última empurrada com a barriga as mudanças não realizadas que provavelmente você prometeu fazer no final do ano anterior. A partir da metade de Novembro já vejo inúmeras pessoas deixando as coisas para o próximo ano, dizendo que não dá mais, e assim, mais uma vez vão adiando seus sonhos e anseios. Será que nesses adiamentos não estão escondidos medos e dificuldades de desapego?

Vale lembrar que desejo de mudança é bem diferente de mudança efetiva. Toda mudança requer desapego. Desapego do jeito que estamos acostumados a ser, desapego das crenças que teimamos em acreditar, desapego do nosso funcionamento habitual, desapego até mesmo de algumas pessoas que nos fazem mal e que se tornaram tóxicas para a nossa vida, além da desconstrução de alguns paradigmas que cultivamos.

Um desses paradigmas é o medo da mudança, a crença que temos sobre mudanças. Acabamos acreditando que mudanças são ruins e isso acaba nos dando medo. Temos medo de deixar algumas coisas para trás e também temos medo de enfrentar outras coisas pela frente. Medo de nos deparar com o desconhecido e entrar em um mundo de possibilidades que ainda não conhecemos, nos adaptar a situações inesperadas e inexploradas.

Sair da zona de conforto pode ser assustador, e esse é um dos motivos pelo qual, muitas pessoas por mais que queiram mudar, não o façam efetivamente e passem uma vida somente desejando essa mudança.

Precisamos fazer as perguntas certas para nós mesmos, para que tenhamos uma melhor conscientização do processo de mudança.

O que eu quero mudar e por quê?

O que preciso para fazer uma mudança?

Quais atitudes devo tomar agora? O que posso começar hoje mesmo?

O que me impede de fazê-la?

Como essa mudança impactará minha vida?

É preciso ter clareza nas ideias, pois se não soubermos a razão de querermos mudar, acabamos imobilizados. O objetivo tem que estar claro. Por exemplo, se pretendo guardar dinheiro no próximo ano, preciso estabelecer um valor e definir em quanto tempo esse dinheiro tem que estar na minha mão.

Por vezes, além de objetivos racionais nos nossos planos, é interessante ter também um objetivo emocional atrelado. Usando novamente o exemplo acima, uma parte desse dinheiro, pode ser usada para fazer uma viagem dos sonhos, conhecer um novo restaurante para comemorar alguma data especial, ou algo que fizer sentido para você. O objetivo emocional nos ajuda e impulsiona.

Depois de fazer esses exercícios e conseguir ter um pensamento mais claro a respeito das mudanças que se quer, é preciso entender que a mudança não acontece para todos da mesma forma ou ao mesmo tempo, e nem sequer precisa acontecer para todos.

Se você não conseguiu responder nenhuma pergunta acima, se está feliz do jeito que está no momento e consegue bancar essa escolha – bancar não somente financeiramente, mas principalmente emocionalmente – talvez você não precise mudar, pelo menos não por enquanto. Ninguém tem obrigação de ter uma super vida incrível, cheia de conquistas pessoais e mil desafios.

A zona de conforto pode ser necessária de vez em quando e pode também ser vista como um patamar para dar um respiro, fazer uma pausa, antes de almejar outra coisa. Se não soubermos aproveitá-la, corremos o risco de nos tornarmos eternos infelizes.

Por vezes, é melhor fazer mudanças pequenas e constantes que nos deixem em paz e nos proporcione um bem estar emocional, do que grandes mudanças que acontecem de uma vez e podem nos desestabilizar por um longo período.

Se você deseja mudanças para o próximo ano, deixe-as claras para você e deixe claro também o que precisará ficar para trás, para essas mudanças efetivamente acontecerem.

Aproveite o final de ano para refletir sobre como a sua vida está agora e o que deseja (ou não) mudar.

Com esse texto, me despeço de 2016. Desejo um Feliz Natal à todos e um ano novo cheio de novas e significativas oportunidades. Nos próximos 365 dias as possibilidades se mostrarão à você todos os dias, cabe a você percebê-las e fazer alguma coisa boa com elas. Vamos?

*Adriana Biem é psicóloga e escreve quinzenalmente no Jornal Cotia Agora – Telefone: 9-9495-2141 – adrianabiempsicologa.com.brEmail: [email protected]