Primeiro transplante de cabeça deve acontecer em 2017

Cirurgião propõe que cabeça seja resfriada para que o transplante seja um sucesso; até hoje a técnica foi testada apenas em animais.

O cientista da computação russo Valery Spiridonov se candidatou a fazer o primeiro transplante de cabeça da história. A duvidosa cirurgia está prevista para acontecer em 2017, na China. Sergio Canavero, um neurocirurgião italiano é quem fará a cirurgia. Ele propõe que a cabeça seja resfriada a 12ºC, para que as células possam viver mais tempo. A cirurgia pode durar cerca de 36 horas e deve exigir a presença de mais de uma centena de médicos. Ainda apenas testada em animais, a cirurgia gera desconfiança na comunidade médica.

Canavero explica que o procedimento de transplante de cabeça envolve colocar a cabeça de uma pessoa em outra que teve morte cerebral. Para isso, será necessário cortar os tecidos do pescoço, conectar as artérias e veias de maior calibre a pequenos tubos e cortar os nervos da espinha. Depois disso, é preciso ligar a cabeça ao novo corpo, parte mais delicada do processo.

Conectar todos os nervos da espinha aos nervos da cabeça pode dar errado, mas é o que garante as conexões nervosas, que responderão aos estímulos cerebrais. Essa região do corpo, no entanto, abriga centenas de nervos, o que torna a operação ainda mais delicada. Canavero diz que há uma técnica para isso – jamais testada em humanos – que será a aplicação de uma substância chamada polietileno, que estimularia essas novas conexões. Depois da cirurgia, o transplantado deverá permanecer em coma induzido por algumas semanas.

Spiridonov sofre da síndrome de Werdnig-Hoffmanne, uma doença degenerativa genética que o impede de mover o corpo. Ele, então, pretende que sua cabeça seja transplantada para um corpo que possa obedecer aos comandos de seu cérebro.

“Quando eu percebi que eu podia participar de algo realmente grande e importante, eu não tive dúvidas e comecei a trabalhar nessa direção”, diz ele à Discovery. “A única coisa que eu sinto é um bom sentimento de impaciência, como se eu estivesse me preparando para algo importante durante toda a minha vida e isso está prestes a acontecer”.