Orkut era lançado há 15 anos; relembre curiosidades e polêmicas da rede

O Orkut foi lançado há exatos 15 anos, no dia 24 de janeiro de 2004. O site de conexões se tornou febre entre os brasileiros da década de 2000 e fez os usuários de Internet entrarem de cabeça na onda das redes sociais. No entanto, devido à evolução e dinamização do cenário de social media, a plataforma do Google foi descontinuada em setembro de 2014. Até hoje, quem viveu essa época sente saudades de fazer parte de comunidades, adicionar amigos com scrap e disputar o topo dos depoimentos, entre outras atividades.

Para comemorar a data, o TechTudo preparou uma lista com curiosidades e polêmicas que aconteceram envolvendo Orkut, que faria 15 anos nesta quinta-feira (24).

1. Dificuldade para recuperar as fotos do Orkut

Em junho de 2014, quando o Google anunciou que o Orkut seria descontinuado, foi estabelecido um prazo de dois anos para que os usuários fizessem o backup das fotos antigas por meio da ferramenta Google Takeout. Em 2016, com o fim do período determinado, já não era mais possível recuperar os dados da rede social.

Quem perdeu o prazo lamenta até hoje: de acordo com dados do Google Trends, o buscador ainda registra procura por termos de pesquisa relacionados ao resgate das fotografias. Nas últimas semanas, o interesse se intensificou com a popularização do 10 Year Challenge.

2. Rede social exclusiva

O Orkut inicialmente aceitava apenas pessoas convidadas por outros usuários. Então, quem ganhava o “passaporte” podia chamar até dez amigos, e assim por diante. Com o esquema, o site ficou conhecido como “exclusivo”, o que despertou a curiosidade dos internautas. À época, havia ingressos para o Orkut sendo leiloados em sites internacionais, como o eBay, e nacionais, como o Mercado Livre.

3. Quem é Orkut Büyükkökten?

Já se perguntou qual a origem do nome da rede social? Lançado em janeiro de 2004, o Orkut foi batizado conforme seu criador, o engenheiro de software turco Orkut Büyükkökten. A plataforma foi inicialmente desenvolvida como um projeto independente durante a pós-graduação de Büyükkökten na Universidade de Stanford, sendo aperfeiçoada mais tarde, quando o engenheiro já trabalhava no Google. Em 2016, dois anos após o fim do Orkut, Büyükkökten lançou uma nova rede social, a hello.

4. Rixa entre brasileiros e americanos e mudança de sede

Antes de se popularizar no Brasil, o Orkut era repleto de usuários norte-americanos. Em junho de 2004, porém, cinco meses após o lançamento da rede social, o Brasil representava 30,65% dos integrantes; os Estados Unidos, 30,12%. A rápida e intensa adesão dos brasileiros à plataforma intrigou e irritou os norte-americanos.

Havia, inclusive, comunidades para reclamar dos recém-chegados, como a “WTF, A Crazy Brazilian Invasion? (“Que diabos, uma louca invasão brasileira?”, em tradução livre), que abordava questões como o uso do português nas comunidades. Pouco a pouco, os estrangeiros foram abandonando a rede social. Até agosto de 2008, a sede do Orkut ficava na Califórnia (EUA), mas a presença brasileira se tornou tão forte que o Google anunciou que o site seria operado no país pelo Google Brasil, em Belo Horizonte, Minas Gerais. A mudança se deu também devido ao crescimento de assuntos legais.

5. Pérolas do Orkut

Em 2007 foi criado um site para reunir as bizarrices postadas na rede social: era o “Pérolas do Orkut”. A iniciativa fez muito sucesso e continha desde relatos constrangedores em comunidades até fotos engraçadas. Desde o fim do Orkut, em setembro de 2014, o nome do site foi reduzido para “Pérolas”, que agora abriga conteúdos peculiares divulgados no YouTube, Twitter, Facebook e Yahoo Respostas.

6. Atributos

Se no Instagram e no Facebook os likes são a forma de avaliação dos conteúdos, no Orkut era possível homenagear os amigos com três atributos: sexy (representado por um coração), confiante (representado por uma carinha feliz) e legal (representado por uma pedra de gelo). Embora os indicadores não passassem de uma brincadeira, os usuários se entretinham com as mudanças nos percentuais e especulavam a respeito da votação, que era anônima. Também era possível ser fã (representado por uma estrela) de alguém.

7. Briga por topo de depoimentos

Outra prática muito comum no Orkut era a disputa pelo topo dos depoimentos, espaço do perfil reservado para que amigos escrevessem homenagens ao usuário. Conforme alguém deixava sua mensagem, a declaração do último amigo passava para a segunda posição da lista. Começava, então, um envio massivo de textos (que às vezes nem incluíam homenagens em seu conteúdo), gerando uma rivalidade pelo primeiro lugar. A ideia é que o contato no topo seria o amigo mais querido e dedicado.

8. Adicionar com scrap

“Só adiciono com scrap”: para quem fez parte do Orkut, essa frase soa bastante familiar. Isso porque, para alguns usuários, uma solicitação de amizade não bastava para deixar uma pessoa fazer parte da rede de contatos; era necessário enviar um scrap (ou recado) para o mural. Havia sites que disponibilizavam scraps temáticos e até mesmo permitiam a criação da imagem animada: quanto mais brilho, melhor!

9. Visitantes do perfil

Antes mesmo de stalkear ser uma prática comum na Internet, o Orkut já permitia que seus participantes verificassem os visitantes recentes do perfil. O recurso era uma via de mão dupla: aqueles que o desativassem poderiam fuxicar à vontade, mas não saberiam quem visitou sua página.

10. Comunidade “Eu odeio acordar cedo”

Há quem diga que uma das melhores coisas do Orkut eram as comunidades. Com um Garfield sonolento estampando a foto de capa, a maior delas se chamava “Eu odeio acordar cedo” e tinha mais de seis milhões de membros em 2009. O criador da comunidade, João Paulo Mascarenhas, a vendeu em julho daquele ano por entre R$ 3 mil a R$ 5 mil.

11. Crush List

Muito antes de aplicativos como o Tinder existirem, o Orkut já ajudava a unir casais. Isso porque cada perfil na rede social tinha uma opção chamada “Crush list”, na qual qualquer usuário poderia clicar para demonstrar interesse no dono da página. Se a pessoa retribuísse o gesto, o Orkut enviava uma mensagem para os dois, confirmando o “match”.

12. Briga com Facebook

Há dez anos o Orkut ocupava o posto de rede social mais popular do Brasil. Ao mesmo tempo, o Facebook ganhava cada vez mais popularidade no exterior. Não demoraria muito para que o cenário resultasse em uma “rixa” entre os sites: em 2009, Mark Zuckerberg começou a ensinar seus usuários a encontrar amigos do Orkut dentro do Facebook, com o objetivo de estimular a migração, e o Google revidou mudando suas políticas de exportação de dados.

13. Pirataria

Em março de 2009, a comunidade “Discografias”, que contava com mais de 921 mil membros, foi desativada após diversas denúncias e ações judiciais envolvendo infração de direitos autorais. Os participantes do grupo compartilhavam links para downloads de faixas individuais e álbuns completos sem qualquer realização de pagamento.

14. Orkut Ouro

Rumores envolvendo supostas versões premium de aplicativos e redes sociais são comuns na Internet. Em 2010, inspirado pelas brincadeiras com o Facebook Gold, um estudante decidiu inventar o lançamento do “Orkut Ouro”. Ele criou um álbum com fotos bloqueadas, que só poderiam ser vistas por quem tivesse a versão exclusiva da rede social. Acontece que a brincadeira acabou indo longe demais: muitos usuários acreditaram e enviaram e-mails com dados pessoais em troca do upgrade no site e, além disso, criminosos se aproveitaram do interesse para aplicar golpes.

15. Por que o Orkut acabou?

A popularidade do Orkut no Brasil não foi suficiente para que o Google abandonasse a ideia de descontinuar o Orkut, anunciada em junho de 2014. Três meses depois, mesmo sob protestos de alguns usuários, a rede social foi desativada. A gigante de buscas apresentou como justificativa o sucesso de outros produtos para Internet, como YouTube, Blogger e Google+, à época.

Para o criador do Orkut, no entanto, o verdadeiro motivo está relacionado à evolução das redes sociais. “Muita coisa aconteceu no setor desde o lançamento do orkut.com. Social Media é um setor em constante evolução. É muito importante inovar sempre e manter-se em contato com as gerações, padrões de uso e temas sensíveis à comunidade. As redes sociais que não evoluem ao longo do tempo correm o risco de ficar desatualizadas ou irrelevantes”, explicou Büyükkökten em entrevista ao TechTudo.

Outra razão apontada para a decadência do Orkut seria a consolidação do Facebook no Brasil. Enquanto a rede social de Zuckerberg investiu em proporcionar aos usuários conexões globais com estrangeiros, já que a rede se estendia por muitos outros países, o Orkut só conseguiu se estabelecer localmente, limitando as experiências de contato.

Por Ana Letícia Loubak, para o TechTudo