Lembra da banda Metrô? Ela está de volta e tocará na Virada Cultural

De década perdida a década fetiche, os anos 80 nunca deixam de surpreender. A  época em que as fronteiras do rock, da eletrônica e do pop se cruzaram, é referência até mesmo para quem nasceu depois. Para os que a viveram como jovens então ela é uma espécie de Santo Graal, com memórias tão coloridas como as cores berrantes que caracterizaram o período.

Com hits como Beat Acelerado, Olhar, Johnny Love, Tudo Pode Mudar e Ti Ti Ti, o Metrô foi um grupo que fez história nos anos 80. Virginie, a icônica vocalista do grupo, hoje mora na França, em Orens, depois de ter passado quase 20 anos na Africa entre Moçambique, Namíbia e Madagascar. Yann Lao mora em Jericoacoara (CE), Alec Haiat, em São Paulo, Zavie Leblanc em São Paulo, onde cuida do seu bistrô La Tartine e Dany Roland, no Rio de Janeiro.

Eles, que se apresentam na Virada Cultural no palco Arouche no dia 21, às 3h, planejam uma turnê que será registrada em DVD e ainda gravar um álbum/vinil com musicas novas/inéditas, produzido por Kassin, segundo conta Dany ao Virgula.

“Não somos nostálgicos dos anos 80. Nosso tempo é hoje”, ressalta ele, que opina sobre os motivos que levaram à permanência dos anos 80. “Acreditamos que é porque foi uma época muito marcante de mudanças profundas em todos os sentidos, não só na musica, mas na vida no Brasil e no mundo. Foi a época das Diretas Já e do fim da ditadura, isso por si só uma mudança e tanto”, argumenta.

Dany recupera ainda a ideologia punk do do it yourself. “Os anos 80, a partir do final da década de 70, foram o principio de autonomia do ‘faça você mesmo’ o que motivou milhões de jovens no mundo inteiro a correr atrás de seus ideais e sonhos”, afirma.

Sobra as circunstâncias em foram compostos os maiores hits da banda, ele conta que eles foram fruto de uma dinâmica coletiva. “Essas músicas foram criadas num época efervescente na vida do país, no nosso caso em São Paulo e cada uma em uma em circunstâncias e motivações muito diversas. A maior característica talvez sejam os encontros com outros jovens compositores como o paulista Vicente França, Joe Euthanazia, de Porto Alegre, Leo Jaime de Goiânia, e o poeta carioca Tavinho Paes. Tititi foi um belo presente de Rita Lee, nossa musa mor”, elenca. “O mundo estava diminuindo e como não havia internet esses encontros eram olho no olho”, completa.

Vista com desconfiança pelos críticos da época, o músico defende que haviam características próprias na new wave brasileira. “New wave quer dizer nouvelle vague e quer dizer Jean Luc Godard com quem nos indentificamos muito. Se você for escutar a new wave ou a música jovem dos anos 80, ela é tão abrangente. Existia uma multiplicidade”, defende.

“Alguns usavam elementos do reggae, outros bebiam na fonte do jazz, da disco ou do ska. E ainda haviam subgêneros influentes, como o hardcore e o psychobilly”, elenca, antes de entregar a referência de um dos principais hits do Metrô. “Beat acelerado não é nada mais nada menos que uma bossa nova, com o beat acelerado. João Gilberto na veia. Nada se cria, tudo se copia ou se transforma”, vaticina.

Por fim, Dany reforça a disposição em nunca olhar para atrás. “”Estamos muito felizes de nos reencontrar para criar material novo e tocar juntos numa turnê pelo Brasil e quem sabe no exterior, existem convites, num futuro próximo. Somos amigos de infância e nesse hiato nunca deixamos de nos encontrar. Até gravamos o déjà vu de forma independente e que a Trama distribuiu em 2002 e tocamos em Maputo, Londres, Paris e Lisboa. Não há nostalgia nesse reencontro. A nossa maior motivação é o futuro. Para o Metrô, a melhor estação é sempre a próxima.

Por Fabiano Alcântara, do Vírgula

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