In The End: Álbum póstumo marca a despedida do The Cranberries

Dona de uma das vozes mais singulares e expressivas do pop rock dos anos 1990, Dolores O´Riordan (1971-2018) voltou a encantar ouvidos com o lançamento do álbum póstumo “In the End”.

Montado a partir de gravações deixadas pela cantora antes de sua morte, aos 46 anos, o disco marca também a despedida da banda The Cranberries, que ninguém imagina seguir sem Dolores.

O resultado lapidado pelos colegas Mike Hogan, Noel Hogan e Fergal Lawler ao longo de um ano deixa isso bem claro ao evocar o melhor dos primeiros anos do grupo, quando ele se tornou sensação da geração MTV com hits como “Linger”, “Zombie” e “Ode to My Family”.

Para esse público, dar o play em “In the End” tem efeito emocional parecido ao de colocar para tocar uma mensagem de áudio deixada por alguém que já partiu. Há um desejo inconsciente de identificar, nas 11 faixas, pistas tragicamente premonitórias do destino da vocalista.

Isso acontece desde o verso que abre o disco. Não bastasse a faixa ser intitulada “All Over Now” (algo como “tudo está acabado agora”), ela chama o ouvinte a se lembrar “daquela noite em um hotel em Londres” – Dolores foi encontrada morta após se intoxicar com álcool e se afogar em uma banheira, justamente em um hotel em Londres…

Poderia soar triste, ainda mais quando a voz da cantora soa menos potente do que era capaz, mas os remanescentes do Cranberries souberam trabalhar os arranjos de forma a honrar a trajetória do grupo e afastar qualquer tom fúnebre.

Um dos responsáveis por essa coerência sonora é o produtor Stephen Street, com quem a banda já havia trabalhado nos bem sucedidos “Everybody Else Is Doing It, So Why Can´t We?” (1992) e “No Need to Argue” (1994).

Com isso, o Cranberries faz um disco testamento que se despede dos fãs aquecendo seus corações.

Do Metro