Hacker ajuda em golpe do ‘falso médico’ em hospitais da região e Capital

Pessoas que se dizem médicos –mas são na verdade golpistas– estão contatando parentes de pacientes de hospitais da Grande SP e Capital, principalmente internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), dizendo que os doentes precisam de exames urgentes e, para realizá-los, é necessário fazer depósito em suas contas.

O falso médico em geral entra em contato com a pessoa que consta como responsável na ficha do paciente. Descreve o tratamento e dá tantos detalhes sobre a pessoa internada que o familiar acredita que seja de fato um médico.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com o taxista Jarbas Donizete, cuja mãe, que morreu há dois meses, ficou 32 dias internada na UTI. “Ligaram para a minha casa, deram todos os dados [da mãe dele]. Disseram que tinha que fazer um exame urgente porque tinham descoberto que ela estava com leucemia, pediram R$ 2,9 mil, ficamos desesperados.”

A reportagem da Rádio Bandeirantes entrou em contato com um desses golpistas. Ele atende o telefone dizendo que é “Carlos, o médico” e, quando recebe o pedido de falar pessoalmente no hospital e ali entregar o dinheiro, responde: “Não, esse é um procedimento indevido e antiético”.

No caso de Yara Feirante, o contato foi feito no telefone do apartamento do hospital e o pedido foi para comprar um remédio. “A pessoa se identificou como médico, disse que meu parente precisava tomar uma medicação cara e deu um número de conta para depositar cerca de R$ 2 mil para conseguir o remédio.”

Hacker

Mas como os golpistas conseguem os dados do paciente? A reportagem da Rádio Bandeirantes descobriu uma tática usada por eles: um hacker invade o sistema dos hospitais e captura dados de pacientes internados.

Um desses hackers, que se identificou como Álvaro, disse à reportagem que conseguia obter todos os dados arquivados em sistema do hospital. Cada “entrada” no sistema custa de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil.

Denúncias sobre a atuação do falso médico estão sendo investigadas pela Delegacia de Itapevi, onde vários casos ocorreram, mas os responsáveis pelo golpe ainda não foram identificados.

Por Agostinho Teixeira – Rádio Bandeirantes