Espiritismo com Lucio Cândido Rosa: “Deus está em nós”

A Paisagem do Sofrimento Humano

Caro Leitor:
A princípio vamos conceituar o que é sofrer.
Segundo o dicionário Aurélio, da Língua Portuguesa: Sofrer é:
1-    Ser atormentado, afligido por;
2-    Tolerar, aguentar;
3-    Admitir;
4-    Passar por, experimentar (coisa desagradável ou danosa);
5-    Sentir dor física ou moral.
Nós estamos sempre habituados a dizer que a felicidade não é para este mundo, que aqui sofremos num vale de lágrimas… Que Deus esqueceu de nós… Quando na realidade, somos nós que criamos as situações de infelicidade.
Tenho livre-arbítrio, sigo para a porta que eu quiser: a da felicidade ou infelicidade.
O que precisamos compreender com tudo isso?
Se focarmos só no sofrimento e batermos sempre na mesma tecla, nós nunca seremos felizes.
Precisamos entender que o sofrimento nada mais é do que uma oportunidade de crescimento, evolução e aprimoramento da nossa alma.
Para nós espíritas, a dor, o sofrimento seja físico ou moral, não estão localizados no corpo físico.
A dor é um reflexo de nossas más ações. A doença física ou moral, mental quase sempre se inicia na nossa alma e se reflete no corpo físico.
Deus não nos pune, nem nos ameaça como nossos pais, parentes ou a sociedade. Só sabemos que não estamos no “caminho certo”, que estamos falhando com o Divino, quando adoecemos ou temos aflições.
Somente quando acometidos de doenças malignas como por exemplo: câncer, AIDS, consequências de enfarte ou AVC (acidente vascular cerebral) que nos podam de atividades, é que paramos para repensar “a vida”
Aí começa nosso primeiro passo para a evolução.
Se estamos doentes ou aflitos, vamos procurar a causa: material ou espiritual.
Acreditamos que a Terra é uma escola para uns, hospital para outros, uma prisão ou um lar de bênçãos onde a dor tem um papel fundamental, claro e legítimo em nosso processo evolutivo.
A dor tem a função de educar como se fosse uma professora, uma grande mestra, ainda não bem aceita por nós, seres humanos, falhos que somos, porque ao invés de mantermos a calma, nos revoltamos, maldizemos a vida ou culpamos a Deus.
Não podemos nos iludir e acharmos que existe um grupo de pessoas agraciadas e que não sofrem.
Alguns disfarçam as emoções, as ocorrências menos felizes, dando a impressão de que tudo está bem.
Outros, mais esclarecidos, encaram o sofrimento como uma lição que traz aprendizado.
E, outros ainda se entregam ao total desespero.
Então, qual e a função do sofrimento?
Despertar a consciência para mudanças de comportamento e finalidades mais sublimes para a própria vida.
Ela nos machuca, nos faz sofrer até que resolvamos reagir refletindo e trabalhando para as mudanças.
Muitas vezes batalhamos para trilhar o caminho do bem, mas isso não nos garante que seremos merecedores de bênçãos quanto à saúde ou questões materiais imediatas pois temos situações do tempo presente e de outras encarnações também para serem revistas.
Não adianta fazer sacrifícios, promessas na tentativa de aliviar a dor ou agradar a divindade na ânsia de se livrar do sofrimento.
Por certo, devemos continuar a fazer o bem, mesmo que isso não impeça os conflitos, a intranquilidade, pois elas fazem parte da aquisição de valores morais.
Que jamais tenhamos inveja dos que desfilam no pódio da fama, pois isso não é tudo. Muitas vezes, se perdem no caminho da solidão, da desilusão quando não conseguem sustentar essa fama.
Esses “astros”, chegam rápido ao auge da fama e quando insatisfeitos e atordoados, se entregam ao álcool, às drogas e a depressões profundas…
Os deuses do sexo, recebem aplausos exibem dotes eróticos, acumulam grande soma de dinheiro, mas sua condição monetária não lhe garante livrar-se do silêncio do abandono, dos abusos de toda ordem.
Jesus, o filho de Deus, sem nenhum débito, sofreu injustiças, muitas dores e aflições pela ignorância do povo e acabou sendo crucificado.
Antes de morrer suplicou ao Pai: – “Perdoa porque não sabem o que fazem”. Foram palavras de resignação, aceitação do sofrimento e, por fim, o perdão.
Mostrou que diante dos percalços da vida, devemos ter coragem e enfrentarmos as piores situações que possam surgir.
Jamais devemos reclamar, poupando os ouvidos dos outros com as nossas queixas, lamentos constantes, porque a dor e nossa e podemos ter ajuda espiritual para resolvê-las. É só orar e acreditar!
Muitas vezes outras pessoas carregam problemas maiores do que os nossos.
Não pensem que aquele que aconselha tem o privilégio da felicidade plena, pois também tem seus percalços. Apenas consegue manter o equilíbrio, ter o controle da situação em suas mãos.
Concluindo: conscientes e conhecedores das Leis Divinas, alegremo-nos com o ensejo de crescimento e sublimação de situações, avançando com coragem, sem medo, agradecendo pela vida e oportunidade de reconciliação com o Criador para podermos ser felizes.
Muita paz a todos!

*Lucio Cândido Rosa escreve sobre espiritismo quinzenalmente no Jornal Cotia Agora