Doutor Thiago Camargo fala sobre um perigo para homens e mulheres: HPV

O HPV (papilomavírus humano) é uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Com mais de cem tipos de vírus, estima-se que 50% da população sexualmente ativa já tenha sido infectada por algum tipo de HPV.

Também chamado de condiloma acuminado ou verruga venérea é o resultado da infecção adquirida – na maioria das vezes através do contato sexual – que pode ter repercussões dermatológicas, urológicas, proctológicas e ginecológicas.

Devido à grande variedade de manifestações clínicas que tal infecção pode ter, há preferência pela denominação genérica de “Infecção pelo Papilomavírus Humano”. A “infecção” inicia-se com a penetração do vírus em locais de microtraumas, frequentemente durante a relação sexual com parceiro contaminado.

Após o período de incubação, que varia de meses a anos, surgem as manifestações clínicas, que variam desde lesões papulosas e vegetantes (verrugas), de tamanho variável, isoladas ou múltiplas, visíveis a olho nu, até pequenas lesões subclínicas, ou seja, detectáveis apenas através do exame de Papanicolau (citológico) ou de colposcopia.

No homem, as localizações mais frequentes são o pênis e a região perianal enquanto na mulher podem ser comprometidos o períneo, a região perianal, a vulva, a vagina e o colo uterino. Com menor frequência, as lesões podem ser encontradas na boca (cavidade oral) e na mucosa ocular.

Na maioria dos casos, o diagnóstico pode ser feito através do exame clínico e confirmado através do exame anatomopatológico (biópsia). É essencial a realização de consultas regulares com o ginecologista bem como a realização de exames de Papanicolau anualmente, lembrando que tal exame é realizado em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) das prefeituras pelos médicos ginecologistas, pelos médicos do programa de saúde da família e pelos enfermeiros.

O câncer de colo de útero ainda é um importante problema de saúde populacional, particularmente nas regiões mais pobres do mundo, apesar de programas para detecção precoce com base no exame de Papanicolau terem sido propostos há mais de 50 anos.

Com a intenção de evitar futuras contaminações pelos vírus, o Ministério da Saúde do Brasil adotou mais uma medida preventiva que deve ser somada ao uso do preservativo e ao exame de Papanicolau: a campanha de vacinação contra o HPV, iniciada em 2014.

A vacina foi criada em 2006, na Austrália, onde observou-se redução de mais de 90% nos casos de verrugas genitais entre as mulheres da faixa etária incluída no programa de vacinação.

Observações:

– Alguns tipos de HPV, particularmente os tipos 16 e 18, estão correlacionados com o câncer genital. É importante que todos as mulheres realizem acompanhamento periódico no intuito de detectar e tratar adequadamente qualquer lesão suspeita.

– Lembrar que o hábito de fumar diminui a imunidade, aumentando o risco de contaminação em caso de contato com o vírus. É importante que as mulheres estejam orientadas a cessar o tabagismo no intuito de prevenir as recidivas, ou seja, o retorno da atividade da doença.

– Os parceiros sexuais devem ser examinados e tratados quando apresentarem lesões clínicas.

– Deve-se diagnosticar e tratar as infecções cérvico-vaginais associadas ao HPV.

*Dr. Thiago Camargo (CRM 107445) é ginecologista e especialista em saúde da mulher e escreve no Cotia Agora.

**A vacina contra o HPV está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde de Cotia e é aplicada gratuitamente em meninas, com idade entre nove e 14 anos e, em meninos, com idade entre 11 e 14 anos. É preciso respeitar um período de seis meses entre a primeira e segunda dose da vacina.