Cuidado: Caneta laser pode cegar

Líder em notificações de voos atingidos por laser, São Paulo veta proibição de venda livre do dispositivo.

A aparente brincadeira inofensiva com uma caneta laser provocou lesão permanente na visão do Gustavo Batista de Souza, 19 anos. “Não é uma deficiência grave, mas ele vai carregar para sempre esta marca”, desabada a mãe, Eliane.

Segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto que vem acompanhando o caso, o estrago só não foi maior porque o laser emite um feixe de luz que concentra toda sua energia em um só ponto. Em Gustavo, comenta, esta energia ficou concentrada na periferia da retina.

Isso causou um edema na retina que após tratamento medicamentoso deixou pouco sequela na visão. Se a concentração acontecesse na mácula, parte central da retina responsável pela visão de detalhes poderia ficar com visão subnormal e até cegar, afirma.

Falta regulamentação

O especialista diz que embora as lesões visuais causadas por laser não sejam muito frequentes, a falta de regulamentação está transformando estas canetas numa arma contra a saúde pública e a segurança aérea.

Isso porque, no Brasil só os dispositivos médicos são regulamentados pela Anvisa (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária). Qualquer pessoa pode comprar uma caneta laser numa amperagem muito acima dos 5 mW que são inócuos para os olhos. Não por acaso, relatório da Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) revela que só neste ano ocorreram 410 notificações de laser disparados contra aviões até dia 26 de junho.

O relatório também mostra que a queixa de 49% dos pilotos e comandantes de voo atingidos pela radiação foi distração. O oftalmologista diz que embora pareça pouco, no comando de uma aeronave pode ser o suficiente para colocar a vida de toda a tripulação em risco.

Projeto vetado

Segundo o Cenipa, o estado de São Paulo concentra o maior número de notificações. Até o dia 26 de junho totalizou 76 aviões atingidos neste ano. Na última ocorrência, o controlador de tráfego aéreo atingido pelo laser durante pouso em Ribeirão Preto, relata que a luz provocou ofuscamento.

O projeto de lei 1029/2011 que propunha a proibição da venda de canetas laser com amperagem acima de 5 mW foi rejeitado pela câmara do deputados no último dia 16, após veto do governador. Por enquanto só o Distrito Federal que este ano contabilizou 10 ocorrências aéreas, tem uma lei estadual que combate o uso do laser em locais de grande aglomeração. Para Queiroz Neto o controle da potência dessas canetas deve ser feito pelas famílias no momento da compra.