“Contos & Causos de Cotia”: O matadouro que abastecia de carne a nossa cidade

Por Beto Kodiak – CLIQUE AQUI e veja todas as sessões do Contos & Causos de Cotia

Há muito tempo que ouvi falar de um matadouro que havia em Cotia, apesar de algumas informações desencontradas.

Teve gente que disse que era municipal, até que a história contada ao Jornal Cotia Agora pelos mais antigos de Cotia dizem o contrário.

Mas, vamos lá. Por volta dos anos 60 a Raposo Tavares ainda passava por dentro de Cotia e bem ali onde hoje é o Km 34,5, na entrada do Jardim Adelina (foto principal da matéria), havia um entreposto que servia de matadouro.

Ele pertencia ao antigo frigorífico Santa Mônica, que funcionou por muitas décadas no Km 36,5, lá na saída da Avenida Professor Joaquim Barreto, depois do Atalaia.

Segundo relatos dos “antigões” Luisão Silva, Chicão Brasil e Zé Vaz, os bois chegavam para o frigorífico vindos de trem, que parava na estação de Itapevi. De lá, boiadeiros acompanhavam o gado, vindo por estradas de terra, passando pela região chamada de Cruz Preta e demorava cerca de 24 horas para chegar até o ponto que citamos, na entrada do que viria a ser no futuro o Jardim Adelina. Ali, alguns bois já eram abatidos, sob chefia do Sr. Mariano Silva e essa carne ia para o único açougue na época, de propriedade de Mateus Eterovic, no centro de Cotia.

Dali, o restante dos bois iam por uma trilha que viria a ser a Raposo Tavares, entre o Km 34,5 e o 36,5, passando por onde hoje é a base da Polícia Rodoviária.

Chegando no Santa Mônica, ficavam um tempo confinados e depois eram abatidos e distribuídos para vários pontos de São Paulo.

O frigorífico

O frigorífico era de propriedade do Sr. Emílio Guerra, que também foi prefeito de Cotia, de 1948 a 1950 e de 1960 a 1963.

O Santa Mônica, em 1984, virou Patmon. O nome Santa Mônica foi em homenagem à sua filha. Muitos moradores de Cotia e Vargem Grande trabalharam no local. O time de futebol do frigorífico era forte e tinha até ônibus para viajar nos finais de semana para amistosos pela região.

Um morador de Cotia, chamado Cleberson, conta um ‘causo’ do frigorífico: “Me recordo do frigorífico Santa Mônica/Patmon. Meu Tio chamado Osmir morava no bairro das Pedras (Km 39 da Raposo) e trabalhou muitos anos neste frigorífico em meados de 1989/1990, não me lembro bem, eu era muito menino. Ele estava indo trabalhar (a pé devido a pouca distância) foi atropelado e veio a falecer alguns dias depois. Hoje eu trabalho na Frangosul (Km 28 da Raposo), tem um senhor aqui que trabalhou por muitos anos no Santa Mônica também”.

A fachada do frigorífico
A fachada do frigorífico
Esta parte ficava atrás do frigorífico Santa Mônica
Esta parte ficava atrás do frigorífico Santa Mônica
Parte de um dos prédios que havia no Santa Mônica
Parte de um dos prédios que havia no Santa Mônica

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