Coluna literária de Luiz Júnior: “O Horror em Solo Brasileiro”

holocaustobrasileiroGenocídio, não há outra palavra para descrever o que aconteceu em Barbacena.

Imagine um centro de tratamento onde os doentes, ao invés de receberem o tratamento adequado, simplesmente são empoleirados uns sobre os outros, largados em um canto. Imagine que, durante sua “estada”, eles recebem apenas uma muda de roupa, e essa muda de roupa tem que durar por 10, 15, 20 anos – e, às vezes, até o fim da sua vida, – ainda que isso signifique enfrentar o frio inverno de 9° C em média, o que obriga as pessoas a dormirem amontoados, e que, muitas vezes, sufocados pela necessidade de aquecimento, pessoas perdem a vida.

Imagine um lugar em que o fim da vida não é temido, mas quase abençoado.

Um lugar onde, sem receber tratamento dignamente humano, 60 mil pessoas (não, não errei a conta, e nem a escritora) morreram e tiveram seus corpos vilipendiados. Muitos corpos eram vendidos na calada da noite para universidades, ainda que a prática seja proibida por lei.

Agora, lembre que você não tinha nenhuma doença. Havia engravidado do namorado ou do senhor da fazenda após ser estuprada, ou descobriu ser homossexual, ou virou rival de alguém poderoso. Você simplesmente incomodou a elite de todo um Estado, incluindo a igreja.

E, por isso, foi mandado para lá.

Pense em ficar grávida ao ser estuprada por enfermeiros, e ter seu filho arrancado de você e nunca mais vê-lo. Imagine ter engravidado de seu namorado e, como a família foi contra essa situação, você foi parar ali. Seu filho nasceu.

E você nunca mais o viu.

Isso aconteceu no manicômio de Barbacena, Minas Gerais. E não pense que foi em um passado distante – o manicômio só foi definitivamente fechado na primeira década do século XXI.

Um lugar onde pessoas eram assassinadas durante processos seletivos para médicos e enfermeiros, com a conivência do Governo do Estado de Minas Gerais.

É isso que Daniela Arbex, jornalista que desenvolve este trabalho, esmiúça nas 272 páginas de O Holocausto Brasileiro, da Geração Editorial. Um livro que serve, acima de tudo, para repensarmos a condição humana e em qual medida as elites culturais e financeiras deste Brasil ainda mandam e desmandam em nossos corpos.

Em tempos: não consegui parar de ler este livro. O li de uma só vez, em quatro horas.

O Holocausto Brasileiro
Daniela Arbex
Geração Editorial
272 páginas
R$ 35,00
Nota da coluna: 10

*Luiz Junior é astrólogo, colunista e escritor. É autor de O Templo da Magia e O Livro de Luaror, da série Reinos em Guerra, produz o horóscopo diário para o Jornal Cotia Agora e para a Rádio Cotia, e, juntamente com Nathalia Saphyra, é apresentador do programa Ampliando Horizontes, da Rádio Cotia.