Lucio Cândido Rosa fala sobre espiritismo: Ressurreição x Reencarnação na Bíblia

Caro Leitor!

Reencarnar significa: o espírito reassumir a forma material; tornar a encarnar em outro corpo físico tempos depois, após a sua morte.
Por outro lado, ressuscitar é fazer ressurgir, chamar outra vez à vida, reviver, assumir o próprio corpo material.
Quando dormimos, desmaiamos ou sofremos de uma doença qualquer, que nos dê aparência de mortos, como na letargia, nosso espírito não se desliga do corpo físico. Continua ligado pelo laço fluidico, que também é denominado “cordão de prata”.
No Evangelho de Jesus, há apenas citação de três casos de ressurreição: – a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim e a de Lazaro.
O Mestre não derrogou nenhuma lei natural estabelecida por Deus, Nosso Pai.
Ele possuía a clarividência que lhe permitia ver o Espírito dessas crianças ainda ligados pelo cordão de prata a seus corpos físicos.
Dessa forma, concluímos que elas não estavam mortas, pois algum motivo particular lhes impedia de querer assumir seus corpos físicos.
Jesus, com sua autoridade moral, fez com que retornassem a seus corpos, afim de amenizar o sofrimento de seus familiares.
Ele não “ressuscitou” mortos, como acreditam os que não têm conhecimento das revelações dos Espíritos. Se assim fosse, o Mestre teria ressuscitado todos os mortos da época.
Se pesquisarmos A Gênese (Kardec), no Cap. XV – Os milagres do Evangelho, verificaremos que as crianças não voltaram “do reino dos mortos”, simplesmente porque não haviam morrido.
No caso de Lázaro, na ‘Gênese’, é contestada a ressurreição, pois estava em estado letárgico.
Se pensarmos em ressurreição do espírito em seu corpo espiritual, poderemos dizer que ressuscitou na espiritualidade.
Então ressurgirá na espiritualidade com seu espírito revestido de matéria sutil, o perispírito, que será mais ou menos denso de acordo com a sua evolução espiritual
No planeta Terra, há necessidade de um corpo físico “mais robusto”, se assim podemos dizer, precisando de uma nova encarnação, não podendo usar o corpo anterior, que aliás, já estaria sepultado.
Sabemos seguramente que o corpo físico se decompõe misturando-se à terra, ou não quando cremados, não tendo condições de voltar a ter vida.
Então a teoria do “juízo final”, de que os mortos se levantarão de seus jazigos no “final dos tempos”, não se sustenta cientificamente.
Jesus reafirmou a Nicodemos que temos necessidade de nascer de novo, até que nossa evolução se realize plenamente, de acordo com os planos do Criador.
Revendo a história da Igreja Cristã nascente, a reencarnação era aceita pela comunidade cristã até o ano de 553 DC.
Aconteceu, porém, que o segundo Concílio de Constantinopla, atendendo a interesses próprios do império bizantino, resolveu abolir essa convicção, cientificamente justificada, substituindo-a pela ressurreição, que contraria todos os princípios da ciência, porque admite a volta do ser, por ocasião de um suposto juízo final, no mesmo corpo já desintegrado em todos os seus elementos constitutivos.
Mas, de uma coisa poderemos estar cientes: – aproveitar cada oportunidade reencarnatória que tivermos, para podermos chegar à perfeição no menor espaço de tempo possível.
Somos Espíritos imortais, mas dependemos de nosso livre-arbítrio nessa corrida para chegarmos aos mundos felizes, onde a paz realmente impera e se realiza.
Muita paz a todos!

* Lucio Cândido Rosa escreve quinzenalmente sobre espiritismo e espiritualidade no Jornal Cotia Agora. Quer enviar sugestão de algum tema para que ele aborde? Envie para o email [email protected]