Coluna de Marcos Schulz: Fake it til you make it

Olá, hoje vou falar de uma técnica muito conhecida fora do Brasil, porém, pouco conhecida em terras tupiniquins. Ela se chama “fake it til you make it”, em português, algo como “falsifique até que seja feito”.

O quê? Como assim? Falsificar? Você quer que eu engane meus clientes? Calma, pequeno gafanhoto, é força de expressão, não iremos falsificar nada, fique tranquilo! Vamos apenas influenciar as pessoas a frequentarem seu negócio.

Quando empreendemos, queremos obter sucesso de forma rápida e, para isso, não nos falta vontade. Mas, na ânsia do sucesso, acabamos nos esquecendo da parte mais importante: a estratégia.

A estratégia conta, e muito!

Um exemplo é quando vamos a um bar. Ao chegarmos ao local, às vezes nos deparamos com um bar superlotado ao lado de outro vazio. A primeira coisa que nos vem a cabeça é: “Vou ao bar que está lotado, pois o vazio deve ser no mínimo ruim, já que não tem uma alma viva lá…”. Isso acontece devido ao “efeito manada”, que acomete todos nós. Exemplos clássicos desse efeito ocorrem nas bolsas de valores globais. As pessoas tendem a comprar ações já valorizadas (ou que estão se valorizando), deixando de lado as desvalorizadas. Ninguém quer perder dinheiro, certo?

Voltando ao nosso exemplo, ao bar cheio e ao que está vazio. Podemos concluir que faltou investimento no bar que está vazio? Não necessariamente. Em minha opinião, faltou estratégia. Mas como? E se o dono não tem dinheiro para uma campanha de marketing? Ou se o seu bar abriu há pouco tempo? Como angariar pessoas até esse bar?

Ok, vamos lá: falsifique até que seja feito!

Vamos pensar no seguinte: com o bar vazio, a comida e a bebida acabarão estragando, fazendo com que o dono as jogue fora em algum momento. O prejuízo é certo. Para evitar esse episódio, podemos sugerir ao proprietário que chame seus amigos e familiares para o bar, servindo-os por um preço promocional, ou até mesmo pelo preço de custo. Dessa forma, não haverá perda da comida e bebida, e o mais importante: o bar terá movimento, atrairá pessoas.

Outra sugestão que podemos dar ao dono: acomode os clientes nas mesas do lado de fora do bar! Isso fará com que as pessoas achem que o bar está lotado, favorecendo o efeito manada.

Agora vamos ao mundo virtual.

Vejamos a história do PayPal (www.paypal.com.br). Trata-se de uma empresa de pagamentos via internet, na qual você cadastra seus dados de cartão de crédito em um ambiente seguro, e na hora de comprar (em algum e-commerce homologado pela companhia), você precisa apenas digitar seu e-mail e senha cadastrados no PayPal. Assim, você evita a necessidade de sempre informar seus dados de cartão e, por vezes, expô-los em sites que não tenham sido programados de forma segura, favorecendo o vazamento de suas informações a hackers.

Quando o PayPal começou, ninguém queria cadastrar seus dados de cartão de crédito no sistema deles, pois, pense bem, era uma empresa pouco conhecida… O que poderiam fazer com seu cartão? Pois é, por pouco o PayPal não vingou. Até que um dia os sócios tiveram a ideia genial de acessar o eBay (www.ebay.com), que na época atuava como um site de leilões, e começaram a dar lances para arrematar os produtos. Após arrematarem alguns, chegava a hora de pagar e era então que eles lançavam a seguinte pergunta ao vendedor: “Você aceita PayPal?”. É óbvio que o vendedor respondia: “Não, o que é isso? Acho que o eBay ainda não aceita…”. Isso gerou uma onda de e-mails ao eBay por parte dos vendedores, que reclamavam estar perdendo vendas por não aceitarem o misterioso PayPal. Resumo da ópera: o eBay o adotou como forma de pagamento e, após um tempo, comprou a empresa.

Técnicas como essa são pouco adotadas por aqui, porém, fazem toda a diferença para a sobrevivência de empresas que atuam em mercados tão competitivos.

Então, meu amigo, seja criativo! Não tenha vergonha de adotar uma estratégia que muitos possam taxar como “maluca”, pois ela pode criar grande influência sobre o público – a favor de seu negócio.

“Falsifique” a situação até que você não precise mais dela. Até que seu negócio a torne real!

*Marcos Schulz foi fundador da GoPay, a primeira startup do Brasil a processar pagamentos através de dispositivos plugados ao celular. Startup focada no desenvolvido de uma tecnologia que possibilita pequenos varejistas aceitarem cartões de crédito sem burocracia. Após a venda da GoPay, fundou a empresa Monkey’n Apps trazendo mais uma vez, um conceito novo ao Brasil chamado de “ScaleUps”, o qual foca em escalar aplicativos B2C dentro do segmento B2B.
Desde 1994, Marcos Schulz trabalha com tecnologia, tendo sido programador em várias consultorias de TI baseadas dentro e fora do país, até fundar sua própria empresa

 

 

 

Um comentário em “Coluna de Marcos Schulz: Fake it til you make it

  • 27/02/2015 em 13:35
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    Boa Schulz!

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