Coluna de Iris Neves: Conectando os pontos

Toda ação gera uma consequência. Eu aprendi isso há um tempo já, e cada vez mais eu entendo que essa frase pode ser aplicada para todas as situações da vida. Só é possível enxergar a consequência de uma ação olhando para trás, para a origem do acontecimento. Isso porque é impossível prever o futuro, portanto, é impossível saber ao certo qual será o resultado de uma ação. Eu gosto de acreditar que ações boas geram consequências boas, e o contrário também é verdadeiro: ações ruins, geram consequências ruins. Mas o resultado exato de uma ação é impossível prever. Essa noção de imprevisibilidade entre ação e consequência pode ser aplicada para tudo na vida, inclusive quando falamos sobre carreira.

Sempre que faço uma movimentação profissional, dedico algumas horas para refletir sobre toda a trilha que percorri até chegar no momento em que cheguei. O meu momento atual é a consequência de ações passadas, logo, este é o único momento em que consigo fazer a conexão entre a ação e a consequência gerada; ou conectar os pontos (como eu prefiro chamar).

Nossa carreira é uma trilha cheia de pontos. Os pontos são acontecimentos, que podem ser o começo de um trabalho, uma promoção, conflitos com colegas, demissão, etc. Na maioria das vezes, quando algo acontece conosco, é muito difícil significar aquele momento dentro de um contexto maior. Isso acontece porque é difícil entender uma situação olhando apenas para ela, é preciso exercitar a visão sistêmica e olhar para um cenário mais abrangente. E mesmo que você faça esse exercício e consiga mapear todos os resultados daquela ação, ainda existe a possibilidade de que algo que você jamais pensou ser possível, simplesmente acontecer!

Steve Jobs (meu ídolo eterno) já dizia: “Você não consegue ligar os pontos olhando pra frente; você só consegue ligá-los olhando pra trás.” Isso porque é impossível prever o futuro e é impossível encontrar todas as variáveis existentes no universo que geram impacto em uma ação, logo, o trabalho de conectar os pontos só é possível uma vez que você conhece a consequência e busca as origens dela.

Pensando em carreira, porquê isso é importante?

Conectar os pontos permite que você ressignifique momentos e exercite a gratidão por todas as ações ao longo da sua trajetória profissional.

Quer um exemplo?
No meu primeiro emprego, não tive interação alguma com atividades que me preparassem para o que eu faço atualmente. Contudo, o trabalho me proporcionou capital financeiro para pagar os primeiros meses do meu cursinho pré-vestibular. Apesar de ter saído da empresa antes de terminar o cursinho e ter contado com a ajuda financeira da minha mãe para custear os demais meses do curso, eu jamais teria iniciado as aulas sem que estivesse trabalhando e recebendo capital financeiro para fazer este investimento. Como consequência, o cursinho me preparou para concorrer a uma bolsa de estudos integral no ensino superior que, por sua vez, abriu portas para que eu tivesse as minhas primeiras experiências profissionais. Logo, o meu primeiro emprego teve uma influência gigantesca, porém indireta, no meu momento de carreira atual.

Pense no seu primeiro emprego. O que você aprendeu por lá? Quais foram as suas conquistas materiais e como elas te ajudaram? Quais pessoas você conheceu e que te marcaram, tanto positivamente quanto negativamente? Existem situações que você acha que jamais teriam acontecido caso não tivesse vivido essa experiência profissional?

A influência, muitas vezes, pode ser bem indireta. No entanto, isso não quer dizer que não existe influência. Uma ação gera uma consequência que, por sua vez, também é a ação de uma nova consequência. Esses pontos vão se conectando e criando uma rede totalmente interligada, em que uma coisa leva à outra. Por mais banal que pareça ser, uma ação pode criar consequências muito significantes, por isso é importante exercitar a gratidão e valorizar pequenos momentos.

Não posso bancar a inocente e deixar de falar dos acontecimentos não tão legais que aparecem ao longo da jornada profissional. Existem aqueles momentos que te marcam negativamente também, e eles fazem parte de quem você é. Quando ocorrem, a nossa tendência natural é fazer previsões futuras, em um raciocínio ação/consequência bem direto, que muitas vezes é errado pois leva em consideração uma visão limitada do cenário.
Você pode ser desligado de uma empresa e acreditar que isso é muito ruim para a sua carreira, mas você não sabe quais oportunidades podem surgir quando você for para o mercado em busca de recolocação. É impossível saber porque é impossível prever o futuro. Depois de um tempo, olhando para trás e significando o desligamento da empresa, você consegue entender que aquele momento foi o que te impulsionou a procurar novas oportunidades e encontrar a vaga que ocupa atualmente e que te traz tanta realização profissional!

Vou te convidar para o seguinte exercício:
Reflita sobre a sua trajetória de carreira e encontre os pontos que te fizeram chegar onde está agora. Aproveite para agradecer todos os acontecimentos, grandes e pequenos, positivos e negativos, que fizeram parte da sua jornada.

Você pode utilizar essa reflexão sempre que se encontrar desanimado frente a uma ação que você acredita ser muito pequena perto de um grande objetivo, ou quando algo não ocorrer exatamente como planejado. Lembre-se que um conjunto é feito por partes fragmentadas, e que muitas vezes é difícil compreender como essas partes se juntam para compor o cenário maior. Sempre planeje e faça o seu melhor mas, quando algo fugir do seu controle, mantenha a calma e agradeça pois, em algum momento, tudo se encaixará perfeitamente dentro do seu plano de carreira.

*Iris Neves é pós graduanda no curso de Gestão Estratégica de Recursos Humanos na Universidade Presbiteriana Mackenzie e graduada em Administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Já atuou nas áreas de Desenvolvimento Organizacional, Engajamento e Cultura, Treinamento, Consultoria Interna de Recursos Humanos, e atualmente é Analista de Recursos Humanos.
Adepta à práticas de meditação e amante de corridas de rua, Iris escreve quinzenalmente para o jornal sobre temas ligados ao ambiente empresarial, principalmente voltado para práticas de Recursos Humanos dentro das organizações.
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