Câncer gástrico: Entenda mais sobre a doença

De acordo com a OMS – Organização Mundial da Saúde, cerca de 18 milhões de pessoas foram diagnosticadas com câncer em 2018. Esse número é superior ao último estudo divulgado em 2012 quando atingiu 14 milhões de indivíduos. Dos tumores que afetam o sistema digestivo, os mais incidentes são colorretal e do estômago com cerca de 1.1 milhão e 1 milhão de casos novos, respectivamente.

Levando em conta a realidade brasileira, segundo as estimativas do Inca – Instituto Nacional de Câncer, o câncer de estômago atingirá 13.540 homens e 7.750 mulheres para cada ano do biênio 2018-2019, sendo o quarto mais comum em homens e o sexto tipo mais comum de câncer em mulheres. Também conhecido como câncer gástrico, cerca de 95% dos casos corresponde ao tipo chamado Adenocarcinoma, tumor originado em células que revestem a parte interna do órgão. Existem outros tipos mais raros de câncer de do estômago como o linfoma, o sarcoma e o tumor neuroendócrino.

A doença pode disseminar-se, invadindo vasos linfáticos e linfonodos próximos, além de outros órgãos, à distância.
“O desenvolvimento da doença costuma acontecer de maneira lenta e assintomática. Ao longo do tempo, ocorrem mutações pré-cancerosas nas células da mucosa do estômago dando origem ao tumor. Como nas fases iniciais essas alterações raramente causam sintomas, o diagnóstico pode passar despercebido ou pode ser confundido com outras doenças”, comenta Artur Rodrigues Ferreira, oncologista do CPO/Oncoclínicas.

Por apresentar muitos sintomas inespecíficos nas fases iniciais, comuns a outras enfermidades, por vezes o paciente demora a buscar apoio especializado. Entre os sinais do câncer de estômago estão perda de peso, cansaço, falta de apetite, náuseas e vômitos, sensação de má digestão, azia e desconforto abdominal persistente, sangramentos gástricos (mais incomuns), sangue nas fezes e fezes escuras com odor muito forte (indicativo da presença de sangue).

Diante da suspeita de câncer de estômago, é fundamental a realização da Endoscopia Digestiva Alta, que permite a avaliação visual direta da lesão e a realização de biópsias para confirmação do diagnóstico por meio do exame anatomopatológico. Através da boca, um tubo fino e flexível com uma câmera em sua extremidade é conduzido até o estômago. O paciente recebe sedação para sentir menor desconforto e, portanto, o exame é feito com o paciente dormindo algumas vezes.

Após a confirmação patológica da presença do tumor através do exame de biópsia, é importante que se façam os exames para estadiamento, ou seja, para que seja avaliada a extensão da doença no corpo. “Estes exames incluem normalmente avaliações laboratoriais no sangue e as tomografias computadorizadas de tórax, abdome e pelve. Outros exames como a ressonância nuclear magnética do abdome e pelve, a laparoscopia diagnóstica e o PET-CT podem ser também indicados em alguns casos”, finaliza o oncologista.