Alerta: Atletas de final de semana correm riscos

Práticas esportivas de alta intensidade feitas por sedentários aumentam perigos de lesões e infartes

O operador de usinagem Wagner de Jesus, de 35 anos, diz não esquecer do momento exato em que marcou seu último gol. Foi no mês passado, durante um torneio de futebol de várzea. “Era uma dividida de bola, acertei o chute, mas fui empurrado pelo zagueiro adversário e caí”. O resultado: fratura exposta no antebraço direito.

Levado a um hospital, o lateral foi parar na mesa cirúrgica. “Colocaram 13 pinos metálicos no local que quebrou. Já havia sofrido outras fraturas, mas nunca senti uma dor como aquela”, relatou.

Segundo o ortopedista e médico do esporte Felipe Savioli, fraturas como a de Wagner são comuns entre os praticantes não regulares de atividades físicas. O termo atleta de fim de semana define aquela pessoa que se exercita de forma esporádica, apenas uma vez a cada sete dias, por exemplo.

“Todos os praticantes de esportes, profissionais ou não, estão sujeitos a lesões. Mas quem não faz exercícios com regularidade corre mais riscos”, avaliou Savioli.

Para o ortopedista, a melhor forma de prevenir complicações articulares e cardíacas é respeitar os próprios limites.

“Não é obrigatório, mas é recomendável consultar um especialista antes de iniciar uma atividade física ou esportiva. Uma avaliação completa pode apontar fatores de risco à saúde”, destacou o médico.

Savioli ressaltou ainda que os  que têm sobrepeso, são mais vulneráveis a lesões musculares, devido à maior sobrecarga nos tendões e ligamentos.

Para perder peso adequadamente, segundo o especialista, é preciso respeitar um período de adaptação do corpo. Iniciar atividades com esportes de alta intensidade é contraindicado.

A restrição se estende aos diabéticos. “Há risco de crise hipoglicêmica durante os exercícios. É preciso moderação para evitar problemas graves”.

Passado um mês da lesão, Wagner já realizou a segunda das dez sessões de fisioterapia programadas. O atleta de fim de semana está otimista quanto à recuperação e aguarda ansioso o retorno à várzea.

Médica adverte para ameaças ao coração na atividade física

É preciso estar atento ao coração antes de iniciar atividades físicas. A recomendação é de Camila Jordão, diretora científica da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo). Para a especialista, atividades físicas sem regularidade pode aumentar o risco de infartes fulminantes, dependendo da intensidade da prática.

“Não há problema em praticar exercícios somente aos fins de semana. Essa pode ser uma porta de entrada para a prática regular. O importante é não começar com exercícios que demandem muita intensidade”, aconselhou.

A especialista puxa a orelha de quem busca a modalidade recordista em lesões de atletas esporádicos: o futebol.

“Os riscos dependem diretamente da modalidade física. Alguns esportes, como o futebol, demandam muito esforço e podem trazer complicações cardiovasculares. Não tem como praticá-lo moderadamente.”

Caminhadas leves, três vezes por semana, são indicadas pela especialista como opção para melhorar o condicionamento.

”Para que os benefícios da prática esportiva sejam duradouros, é importante ter regularidade”.

Camila, que também é educadora física no Incor (Instituto do Coração), avalia que muitos acidentes podem ser prevenidos com avaliação médica, especialmente entre os mais idosos.

“A partir dos 50 anos, os riscos de infarto fulminante são maiores”, ressaltou a médica.

A especialista alerta ainda para sintomas que podem indicar problemas cardíacos, durante as práticas dos exercícios.

Ardência localizada em um dos braços ou pernas, por exemplo, pode ser sintoma de doença arterial periférica. O problema ocorre quando alguma veia está obstruída, impedindo a circulação sanguínea, segundo Camila.

“Deve-se observar se o incômodo e sensação de cansaço atinge somente um lado do corpo. Se o esforço é igual entre os membros, o incômodo também deve ser”, ponderou.

Por Renan Xavier – Diário S. Paulo