Adriana Biem: Ansiedade crônica

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Rara a pessoa que ultimamente não sofre de ansiedade. As coisas estão casa vez mais rápidas, as comunicações mais superficiais, as relações mais instantâneas e a gente aqui, tentando acompanhar tudo e quase pirando.

Me pego andando na rua rápido quando nem com pressa estou, me vejo dirigindo acima da velocidade sem sequer estar atrasada, acostumamos a ficar bravos com que não responde nossa mensagem mesmo quando a resposta pouco importa. E nesse ritmo acelerado seguimos.

Não gosto muito desse ritmo todo, apesar de as vezes achar inevitável viver nele, mas acho importantíssimo me dar conta disso e por vezes (muitas vezes), me obrigar a parar, diminuir a marcha e caminhar em um ritmo mais lento, em um passo mais arrastado.

E um dia me dei conta disso muito claramente enquanto fazia uma trilha. Enquanto desbravamos lugares para chegar naquela cachoeira ou naquela praia paradisíaca, aquela pouco acessada. O ritmo ali pouco importa, pois o caminho já deve ser apreciado como parte do passeio, sair andando apressadamente pode ser perigoso, render tombos, machucados e cicatrizes. Tudo ali precisa ser mais lento, mais pensado. É preciso ver se a pedra não está solta ou escorregando. É preciso pedir ajuda ou estender a mão para ajudar alguém na travessia. É preciso parar para beber água, molhar o rosto, apreciar uma flor ou algum animal, ou seja, é preciso parar para fazer o que não estamos mais acostumados, é preciso ir devagar, é preciso deixar a ansiedade da chegada de lado, e aproveitar o caminho, é preciso sair do modo automático de um pé atrás do outro e prestar mais atenção nos próprios passos.

Qualquer semelhança com a “vida real”, não é mera coincidência. A ansiedade que nos toma e muitas vezes deixa nebulosa nossas decisões, pode trazer marcas, cicatrizes e escorregões, pode nos impedir de pedir ajuda quando precisamos. Um novo olhar, uma nova escuta, uma comunicação real por vezes faz muita diferença no nosso caminhar. Medos e obstáculos fazem parte, mas se continuarmos caminhando, a recompensa virá. Virá em forma de conquistas, paisagens, aprendizados, vitórias.

*Adriana Biem uma psicóloga que está tentando ser cronista e é colunista do Jornal Cotia Agora – Telefone: 9-9495-2141 – adrianabiempsicologa.com.br – Email: [email protected]